O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o Brasil concederá isenção de visto a cidadãos chineses em determinadas categorias de viagens de curta duração. A decisão foi comunicada ao presidente da China, Xi Jinping, durante uma conversa telefônica realizada na noite de quinta-feira (22).
Segundo informou o Palácio do Planalto, em nota divulgada nesta sexta-feira (23), a medida ocorre em regime de reciprocidade à política adotada por Pequim desde 2025, que passou a dispensar a exigência de visto para brasileiros em viagens de curta permanência. As informações foram divulgadas inicialmente pela Agência Brasil.
Fortalecer intercâmbio cultural e econômico
De acordo com o governo brasileiro, a isenção de vistos está inserida no contexto de ampliação da cooperação bilateral, especialmente em áreas classificadas como parte da “fronteira do conhecimento”, como ciência, tecnologia e inovação. A iniciativa busca facilitar o fluxo de pessoas e fortalecer o intercâmbio acadêmico, cultural e econômico entre os dois países.
A política chinesa de isenção de vistos para cidadãos brasileiros entrou em vigor em 1º de junho de 2025, inicialmente com validade de um ano. Posteriormente, o prazo foi estendido até 31 de dezembro de 2026. Além do Brasil, outros países sul-americanos — como Argentina, Chile, Peru e Uruguai — também foram incluídos na medida, que hoje abrange um total de 45 nações.
A estratégia da China tem como objetivo ampliar a circulação de pessoas e aprofundar sua aproximação com a América Latina e outros blocos internacionais. Brasil, Argentina e Chile figuram entre as cinco maiores economias da região. Desde 2024, a maioria dos países europeus, além de Japão e Coreia do Sul, também passou a ter isenção de visto para viagens à China.
Nesses casos, portadores de passaportes comuns podem ingressar no país asiático sem visto para fins de negócios, turismo, visitas a familiares ou amigos, intercâmbios e trânsito, com permanência máxima de até 30 dias.
Conversa entre Lula e Xi Jinping
O telefonema entre Lula e Xi Jinping teve duração aproximada de 45 minutos. Os dois líderes discutiram o aprofundamento das relações bilaterais desde a visita do presidente chinês ao Brasil, em novembro de 2024, quando foi lançada a Comunidade de Futuro Compartilhado Brasil-China por um Mundo mais Justo e um Planeta mais Sustentável.
Segundo a nota da Presidência da República, a iniciativa elevou o patamar da parceria estratégica entre os países. “A esse respeito, destacaram as sinergias entre os respectivos projetos nacionais de desenvolvimento, em especial nas áreas de infraestrutura, transição ecológica e tecnologia”, informou o comunicado oficial.
Defesa do multilateralismo
No campo internacional, Lula ressaltou que Brasil e China desempenham um “papel central na defesa do multilateralismo, do direito internacional e do livre comércio”. Ainda de acordo com o Planalto, ambos reiteraram o compromisso com o fortalecimento das Nações Unidas como instrumento fundamental para a preservação da paz e da estabilidade global.
A agência estatal chinesa Xinhua também divulgou detalhes da conversa. Segundo o veículo, Xi Jinping afirmou que China e Brasil devem proteger os interesses comuns do Sul Global e atuar conjuntamente para manter o papel central da ONU em meio a um cenário internacional descrito como turbulento.
“A China está comprometida em ser sempre uma boa amiga e parceira dos países da América Latina e do Caribe, e em avançar juntos na construção de uma comunidade China-ALC com um futuro compartilhado”, destacou Xi, segundo a Xinhua.






