O pedido de extradição do ex-deputado federal Alexandre Ramagem encontra-se sob análise das autoridades dos Estados Unidos, segundo informou o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) ao Supremo Tribunal Federal (STF). A solicitação foi encaminhada ao Departamento de Estado norte-americano por meio de nota verbal, acompanhada da documentação necessária, em 30 de dezembro de 2025.
As informações foram divulgadas inicialmente pelo Metrópoles, que apurou os detalhes do trâmite internacional após determinação do ministro Alexandre de Moraes. O magistrado ordenou que a Secretaria Judiciária do STF reunisse e remetesse ao MJSP os documentos exigidos para formalizar o pedido, conforme o Tratado de Extradição entre Brasil e Estados Unidos.
Condenado a 16 anos de prisão por envolvimento em uma trama golpista, Ramagem teve o processo transitado em julgado em 25 de novembro de 2025. Antes do cumprimento da pena, ele deixou o país e passou a residir nos EUA, o que motivou a abertura do procedimento de extradição.
Trâmite legal e exigências do pedido
De acordo com a Lei nº 13.445/2017, o dossiê enviado às autoridades estrangeiras deve conter informações detalhadas sobre o local, a data, a natureza e as circunstâncias dos crimes imputados, além da identificação do extraditando. Também integram a documentação cópias dos dispositivos legais que tratam do crime, da competência judicial, da pena aplicada e de sua prescrição.
A comunicação ao STF confirmou que todas essas exigências foram atendidas e remetidas ao governo norte-americano, que agora avalia o pedido à luz da legislação local e do tratado bilateral em vigor.
Investigação sobre a saída do país
Paralelamente, a Polícia Federal investiga como Alexandre Ramagem deixou o Brasil. A suspeita é de que a saída tenha ocorrido de forma clandestina, pela Guiana, com destino final a Miami. O ex-parlamentar foi diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro.
Em dezembro do ano passado, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, confirmou os detalhes da rota utilizada. “A rota de fuga já parece clara: via Guiana, saindo clandestinamente, sem passar por qualquer ponto de fiscalização. Em seguida, saiu de Georgetown para Miami”, afirmou.






