O Brasil registrou a criação de 1,27 milhão de empregos formais em 2025, o pior saldo anual desde 2020, ano mais agudo da pandemia de Covid-19, quando houve fechamento líquido de vagas com carteira assinada. Os dados fazem parte do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e foram divulgados pelo governo federal.
Ao longo do ano passado, o mercado de trabalho formal contabilizou 26,599 milhões de contratações e 25,320 milhões de demissões, o que resultou em um saldo positivo de 1.279.498 postos. Apesar do resultado ainda favorável, o número representa uma desaceleração significativa em relação aos anos anteriores, informa o g1.
Desde a retomada pós-pandemia, o desempenho vinha sendo mais robusto. Em 2024, o saldo foi de 1,67 milhão de vagas; em 2023, de 1,45 milhão; em 2022, de 2,01 milhões; e em 2021, de 2,78 milhões. Em 2020, auge da crise sanitária, o país perdeu 189,3 mil empregos formais.
Juros altos e desaceleração do ritmo econômico
Na avaliação do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, o resultado reflete uma desaceleração do ritmo de crescimento da economia, e não uma retração propriamente dita.
“Procurei dialogar com o Banco Central mostrando que poderia levar a um processo de desaceleração do ritmo, não de desaceleração da economia. Não se trata de queda da economia, mas do ritmo de crescimento. Mas um processo de diminuição da velocidade. E isso acabou acontecendo”, afirmou o ministro.
Juros altos: impacto maior do que o tarifaço dos EUA
Marinho também comentou os efeitos do chamado “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos, durante o governo do presidente Donald Trump, sobre produtos brasileiros. Segundo ele, o impacto existiu, mas foi menor do que o provocado pelo custo elevado do crédito.
“O tarifaço impactou, claro que sim, mas acho que o impacto dos juros foi maior do que do tarifaço. E o impacto do tarifaço foi amenizado pela política do governo, tomou ações importantes ao longo do tempo”, disse.
De acordo com o ministro, a abertura de novos mercados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ajudou a reduzir os efeitos negativos das barreiras comerciais.
“O presidente Lula abriu novos mercados e isso deu uma amenizada muito grande na história do tarifaço. E ele impactou segmentos pontuais. Olhando para a economia como um todo ele praticamente não foi sentido”, acrescentou.
Impactos setoriais e custo do crédito
Técnicos do Ministério do Trabalho apontam que setores específicos, como madeira, móveis e calçados — especialmente aqueles com encomendas destinadas aos Estados Unidos — sentiram os efeitos das medidas comerciais norte-americanas. Ainda assim, a avaliação do governo é que a maior dificuldade enfrentada pela indústria em 2025 foi a falta de liquidez.
O alto custo do crédito, consequência da manutenção de juros elevados, encareceu o acesso a financiamentos e limitou investimentos, afetando diretamente a capacidade de expansão das empresas e, consequentemente, a geração de empregos.
Serviços puxam geração de vagas
Mesmo com a desaceleração, todos os cinco grandes setores da economia brasileira fecharam 2025 com saldo positivo de empregos formais. O setor de serviços foi o principal motor da geração de vagas, enquanto agropecuária e construção civil apresentaram os menores resultados.
Confira o saldo por setor:
- Serviços: 758,3 mil vagas
- Comércio: 247,1 mil vagas
- Indústria: 144,3 mil vagas
- Construção civil: 87,9 mil vagas
- Agropecuária: 41,9 mil vagas
Dezembro mantém tendência de cortes
Tradicionalmente marcado por demissões, o mês de dezembro voltou a registrar fechamento expressivo de vagas. Em dezembro de 2025, foram encerrados 618,2 mil postos de trabalho formais, número superior ao registrado em dezembro de 2024, quando 555,4 mil empregos com carteira assinada foram extintos.
O governo avalia que, apesar do desempenho mais fraco em 2025, o mercado de trabalho segue resiliente, mas depende da redução do custo do crédito e da retomada de um crescimento econômico mais acelerado para voltar a gerar vagas em ritmo mais intenso.






