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Justiça condena ex-marido a 25 anos por morte de estudante de enfermagem no Rio

Júri reconheceu premeditação e histórico de violência no assassinato de Raphaela Salsa

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Reprodução

O Tribunal do Júri do Rio de Janeiro condenou Vagner Dias a 25 anos de prisão pela morte da estudante de enfermagem Raphaela Salsa, que foi queimada viva após desaparecer ao sair do curso. A sentença foi proferida nesta quarta-feira, após um dia inteiro de depoimentos e debates entre acusação e defesa.

De acordo com o g1, a perícia concluiu que Raphaela estava viva no momento em que o fogo foi iniciado. “O perito estima que a morte se deu por intoxicação pela fumaça concomitante à carbonização e asfixia por ação bioquímica e térmica. O evento térmico se deu com a vítima viva”, afirma trecho do laudo apresentado ao júri.

Depoimentos reforçam a acusação

Durante o julgamento, foram ouvidas testemunhas de acusação, entre elas frentistas de um posto de combustível e a filha da vítima. Segundo a investigação, um dos frentistas recebeu uma ligação pedindo que separasse o combustível que teria sido usado no crime.

O primeiro depoente foi o homem que emprestou o carro no qual Raphaela foi vista pela última vez. Ele afirmou que o veículo, movido a GNV, foi abastecido no momento em que o réu o pegou emprestado. A testemunha reconheceu o automóvel em imagens de câmeras de segurança e relatou que Vagner pediu para que o carro não fosse utilizado após o desaparecimento da estudante.

A filha de Raphaela teve um dos depoimentos mais contundentes. Ela afirmou que o ex-padrasto queria retomar o casamento e conhecia detalhadamente a rotina da mãe. Segundo a jovem, Raphaela desapareceu logo após sair do curso, e Vagner foi reconhecido em imagens em que aparece próximo à unidade de ensino e, depois, seguindo o carro de aplicativo usado pela vítima.

Histórico de controle e violência

No júri, a filha também relatou episódios anteriores de agressão, incluindo um ocorrido em 2014, além de um comportamento controlador por parte do réu ao longo do relacionamento. Ela destacou ainda que Vagner ajudou por dois dias nas buscas pela vítima, enquanto o caso ainda era tratado como desaparecimento.

Outra testemunha confirmou que Raphaela tinha medo de que o ex-marido descobrisse seu novo relacionamento. Segundo familiares, o casal havia ficado junto por cerca de 14 anos e teve dois filhos. A separação tinha ocorrido aproximadamente três meses antes do crime.

Em depoimentos à polícia, a filha mais velha, uma prima e o atual namorado da vítima afirmaram que Raphaela temia as reações do ex-companheiro, motivadas por ciúmes. A jovem chegou a declarar que, se Vagner soubesse do novo relacionamento, poderia “não controlar a indignação e fazer alguma coisa de muito ruim”.

Versão do réu

Vagner Dias optou por não responder às perguntas da juíza, do Ministério Público e da assistência de acusação, falando apenas à própria defesa. Ele negou ter assassinado Raphaela e afirmou que não pegou carro emprestado, alegando que usava o próprio veículo, embora outras testemunhas tenham dito que ele afirmava que o automóvel estava na oficina.

O réu confirmou que participou das buscas, indo a unidades de pronto atendimento e, posteriormente, ao Instituto Médico Legal no dia em que o corpo foi reconhecido. Após a condenação, ele foi transferido da Delegacia de Homicídios para o sistema prisional do Rio de Janeiro.

Investigação aponta premeditação

As investigações indicam que Raphaela foi abordada por Vagner quando chegava em casa, na Praça Seca, após sair de uma aula no bairro do Pechincha. Ela seguia em um carro de aplicativo. Segundo a polícia, o réu comprou gasolina por volta das 22h e teria ligado antes para o posto pedindo a reserva de um galão.

O corpo da estudante foi encontrado no domingo seguinte ao desaparecimento, parcialmente carbonizado, às margens da BR-101, em uma área de mata. Um caminhoneiro localizou o cadáver e acionou a Polícia Rodoviária Federal. O local fica a mais de 40 quilômetros da residência da vítima, o que, para a acusação, reforçou a tese de crime premeditado.

Com a condenação, a Justiça reconheceu a gravidade do crime e o contexto de violência doméstica e controle que marcou a relação entre vítima e agressor.