A Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) publicou neste domingo (1º/2) o Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular (MBEDV), documento que redefine as regras da prova prática para obtenção da nova Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em todo o país. Entre as principais mudanças está o fim da baliza como etapa autônoma, principal e eliminatória do exame, além da padronização nacional dos critérios de avaliação.
O manual estabelece diretrizes obrigatórias para todos os departamentos estaduais de trânsito (Detrans) e tem como objetivo tornar o exame mais alinhado à realidade do tráfego brasileiro, reduzir diferenças regionais na aplicação da prova e reforçar a segurança viária.
As novas regras passam a valer de forma uniforme em todo o território nacional, embora o trajeto do exame possa variar conforme as características das vias de cada cidade, fazendo com que nem todas as provas práticas sejam idênticas umas às outras.
Estacionamento continua na prova
O manual não elimina a avaliação do estacionamento, mas altera a forma como ela ocorre. A manobra deixa de ser uma prova separada e passa a integrar o encerramento do trajeto, como ocorre na condução cotidiana. Ao final do percurso, o candidato deverá estacionar o veículo em local permitido, respeitando a sinalização e as regras de trânsito.
Nos estados onde era exigida até então, a baliza era uma etapa inicial da prova e eliminatória – e que normalmente não era realizada em vias urbanas, mas em um lugar à parte destinado para o exame.
A nova diretriz busca corrigir essa distorção, priorizando comportamentos que efetivamente elevam o risco de sinistros.
De acordo com a Senatran, a avaliação prática deixa de priorizar manobras isoladas e passa a focar o comportamento do candidato em situações reais de circulação, como leitura do trânsito, tomada de decisão, respeito à sinalização e convivência com outros veículos, pedestres e ciclistas.
O secretário nacional de Trânsito, Adrualdo Catão, afirmou que a mudança não torna o exame mais fácil, mas mais fiel ao cotidiano de quem dirige.
“A mudança da baliza como etapa principal e eliminatória acontece porque ela virou, ao longo do tempo, um exercício artificial, cheio de regras que não dialogam com a condução no mundo real. A baliza passa a ser tratada como o que ela é na vida cotidiana: estacionamento, ao final do percurso. Sem aquele ritual mecânico que nada mede sobre direção segura”, explicou.
Segundo Catão, o foco do exame passa a ser o trajeto em via pública e a capacidade do candidato de lidar com situações comuns do trânsito. “O foco do exame se desloca para o que realmente importa: a condução em via pública, a leitura do trânsito, a tomada de decisões e a convivência com outros veículos e pedestres. Isso significa menos encenação e mais realidade”, disse.






