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Bohêmios de Irajá é reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Rio

Aprovado pela Alerj às vésperas do Carnaval, bloco da Zona Norte tem trajetória ligada à história do samba e da folia carioca

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Foto: Reprodução

Às vésperas do Carnaval, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou, em segunda discussão nesta terça-feira (03), o projeto de lei que declara o bloco Bohêmios de Irajá patrimônio cultural imaterial do estado. A proposta é de autoria do deputado Dionísio Lins (PP) e busca assegurar a preservação da tradição do samba, da música e da memória do carnaval carioca.

Considerado um dos blocos mais tradicionais do Rio de Janeiro, o Bohêmios de Irajá integra o patrimônio afetivo e cultural da Zona Norte. Com o reconhecimento oficial, sua trajetória passa a ser formalmente registrada, reforçando a relevância de suas atividades para a identidade cultural da cidade e para a valorização dos blocos de rua.

 

Tradição que atravessa gerações

Fundado em 13 de fevereiro de 1967, no bairro de Irajá, o Bohêmios de Irajá mantém viva, há mais de cinco décadas, a tradição do samba suburbano. Ao longo dos anos, o bloco se consolidou como espaço de encontro entre músicos, moradores e foliões, promovendo eventos que exaltam o samba de raiz e fortalecem os laços comunitários.

A sede do bloco está localizada na esquina da Avenida Pastor Martin Luther King Júnior com a Avenida Monsenhor Félix, próxima à estação de metrô de Irajá. Além dos desfiles no próprio bairro, o Bohêmios também leva sua batucada para a Avenida Rio Branco, no Centro do Rio, ampliando sua presença e diálogo com diferentes regiões da cidade.

 

Reconhecimento e legado

Ao longo de sua história, o bloco foi celeiro e ponto de encontro de importantes nomes do samba. O cantor Zeca Pagodinho frequentou o Bohêmios de Irajá nos anos 1980 e chegou a inspirar a criação da ala do pagodinho, além de ter gravado a música Boêmio Feliz em homenagem ao grupo. Sambistas como Waguinho e o intérprete Tico do Gato, além de figuras emblemáticas do carnaval, como Bebeto di São João e Beto Sem Braço, também fazem parte de sua trajetória.

Ao defender a proposta, o deputado Dionísio Lins ressaltou que o reconhecimento contribui para a preservação da cultura popular e da memória do carnaval. Segundo ele, valorizar o Bohêmios de Irajá é reconhecer o papel fundamental do samba e dos blocos de rua na formação cultural do Rio de Janeiro.