A Justiça do Rio de Janeiro expediu mais um mandado de prisão contra Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. Ele é bicheiro e atual presidente do Salgueiro. A nova ordem de prisão foi determinada pela 2ª Vara Criminal, que aceitou denúncia do Ministério Público e atribuiu a Adilsinho a condição de mandante do assassinato de Fabrício Alves Martins de Oliveira, de 33 anos.
O crime ocorreu em 2 de outubro de 2022, quando a vítima foi executada em um posto de gasolina em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. Dois dias depois, a investigação ganhou novos contornos com a morte de Fábio Alamar Leite, amigo de Fabrício, assassinado ao sair do enterro no cemitério de Inhaúma, na Zona Norte.
As apurações da Polícia Civil indicam que Fabrício já havia atuado no passado na máfia dos cigarros, mas estava afastado do grupo no momento do crime. Segundo os investigadores, tanto ele quanto Fábio teriam sido mortos por engano.
De acordo com a investigação, a dupla emprestou caminhões da empresa de gelo da qual participava para um terceiro homem, que usaria os veículos no transporte de cigarros. O gesto teria sido interpretado pela organização criminosa liderada por Adilsinho como uma afronta à hierarquia do grupo. A suspeita era de que Fabrício e Fábio estivessem envolvidos na comercialização de cigarros sem autorização da quadrilha, o que teria motivado as execuções.
Em nota, Adilson Coutinho negou qualquer envolvimento com os fatos investigados e afirmou que “desconhece as razões da vinculação de seu nome aos referidos eventos”. No mesmo comunicado, disse que “reitera confiança na Justiça” e sustentou que irá comprovar sua inocência ao longo do processo.
O novo mandado se soma a outras três ordens de prisão já existentes contra Adilsinho. Na Justiça Federal, ele é apontado como chefe da máfia dos cigarros. Na Justiça do Rio, responde como mandante de assassinatos de rivais ligados ao jogo do bicho e também como mandante da morte de Fábio Alamar Leite.
Além desses processos, Adilsinho é investigado pela Polícia Civil como possível mandante de outras mortes relacionadas à disputa pelo controle do mercado ilegal.
Conexão entre crimes e armas usadas
Um confronto balístico realizado pela perícia indicou que as mesmas armas foram utilizadas nas mortes de Fabrício Martins, Fábio Alamar Leite e Cristiano de Souza, assassinado em 2023. A coincidência reforçou, segundo os investigadores, a tese de atuação de um mesmo grupo de executores.
Mensagens interceptadas durante a investigação também ajudaram a traçar a dinâmica da organização criminosa. “Os trabalhos não param, senão o zero um fica chateado, tenho que manter ele bem em paz” , diz uma mensagem enviada por um integrante da quadrilha no dia da morte de Fabrício.
Violência para impor monopólio
As investigações apontam que pelo menos 27 crimes, entre tentativas de homicídio, assassinatos consumados e sequestros, teriam sido cometidos para consolidar um monopólio violento no mercado de cigarros ilegais, financiado com recursos do jogo do bicho.
Esses crimes, estariam assassinatos de possíveis concorrentes no comércio de cigarros, execuções de ex-aliados e mortes de pessoas que se recusavam a vender os produtos controlados pela quadrilha.
Fabrício foi morto em um posto de gasolina localizado na estrada do Mendanha, em Campo Grande. Segundo a investigação, ele foi atingido por 14 tiros de fuzil calibre 7.62 logo após sair do veículo que dirigia.
Os executores, de acordo com a Polícia Civil, utilizavam camisas e balaclavas falsas da corporação, uma estratégia recorrente do grupo de matadores de aluguel ligado a Adilsinho para facilitar a aproximação das vítimas e a fuga após os crimes.
Interceptações telefônicas indicam ainda que Fabrício vinha sendo monitorado havia pelo menos cinco meses antes de ser assassinado, o que reforça a hipótese de um crime planejado dentro da estrutura da organização criminosa investigada.






