O advogado Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência, passou por audiência de custódia na tarde desta quarta-feira (4) e teve a prisão mantida pela Justiça. Ele será encaminhado ao sistema penitenciário do Rio de Janeiro.
Além de Deivis, os irmãos Rodrigo e Rafael Schmitz, presos na segunda fase da Operação Barco de Papel, também passaram pela audiência e permanecerão detidos por decisão judicial.
O ex-presidente do Rioprevidência foi preso após retornar dos Estados Unidos. Ele desembarcou no Aeroporto de Guarulhos, alugou um carro para seguir ao Rio de Janeiro, mas foi interceptado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Itatiaia e levado para a delegacia da Polícia Federal em Volta Redonda.
Na tarde de terça-feira (3), Deivis foi transferido para a capital fluminense, onde prestou cerca de duas horas de depoimento na Polícia Federal. Em seguida, foi encaminhado para a Cadeia de Benfica, onde passou a primeira noite preso antes da audiência de custódia.
Os irmãos Rodrigo e Rafael Schmitz são suspeitos de auxiliar Deivis Antunes na retirada de documentos de um apartamento alugado pelo advogado em Botafogo, na Zona Sul do Rio, além de participarem da transferência da titularidade de dois veículos de luxo, um Porsche e uma BMW.
Imagens de câmeras de segurança registraram, em 15 de janeiro, a dupla retirando malas do interior do imóvel alugado no mesmo prédio em que Deivis morava em outro apartamento. Segundo a Polícia Federal, o ex-presidente já tinha conhecimento das investigações em andamento.
Deivis comandava o Rioprevidência até 23 de janeiro, quando renunciou ao cargo após uma operação da Polícia Federal que apura suspeitas de gestão fraudulenta, desvio de dinheiro e corrupção no fundo de previdência dos servidores do Estado do Rio de Janeiro. As investigações envolvem aplicações financeiras ligadas ao Banco Master.
Durante sua gestão e a de outros dois ex-diretores, o Rioprevidência investiu quase R$ 1 bilhão em letras financeiras do Banco Master, títulos considerados de alto risco e que não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.
A Polícia Federal investiga nove aplicações feitas entre 2023 e 2024 que, segundo os investigadores, colocaram em risco os recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores públicos estaduais.
Investimentos sob investigação
Há mais de um ano, os aportes do Rioprevidência no Banco Master estão sob análise do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). Em outubro de 2025, o tribunal proibiu o fundo de realizar novos investimentos em títulos administrados pelo banco e alertou para possível gestão irresponsável dos recursos.
Na primeira fase da operação, deflagrada em 23 de janeiro, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão no apartamento de Deivis e apontou movimentações suspeitas, como retirada de documentos, manipulação de provas digitais e transferência de bens para terceiros.
Segundo a PF, o Rioprevidência realizou aportes de aproximadamente R$ 970 milhões em letras financeiras emitidas pelo Banco Master, operações que teriam exposto o patrimônio da autarquia a riscos considerados incompatíveis com sua finalidade previdenciária.
Banco Master e impacto no fundo previdenciário
O Banco Master está em liquidação extrajudicial desde novembro, após o Banco Central apontar insolvência e indícios de irregularidades. A Polícia Federal apura suspeitas de gestão fraudulenta, uso de créditos falsos e lavagem de dinheiro envolvendo a instituição financeira.
O Rioprevidência é responsável pelo pagamento de benefícios previdenciários, como aposentadorias e pensões, a cerca de 235 mil servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro e seus dependentes.
As investigações seguem em andamento e buscam esclarecer o papel dos ex-dirigentes do fundo e de outros envolvidos nas operações financeiras que estão no centro do inquérito.






