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Obama quebra o silêncio sobre ataques racistas de Trump e alerta para “espetáculo circense” na política

Ex-presidente condenou a perda de decoro nas elites políticas.

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O ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, subiu o tom contra a degradação do discurso público no país. Em entrevista ao podcast de Brian Tyler Cohen no último sábado (14), Obama expressou profunda preocupação com a “falta de decoro e pudor” que passou a dominar o cenário político, destacando o impacto corrosivo das redes sociais na democracia norte-americana.

O ataque e a reação

O estopim para as declarações foi um vídeo compartilhado por Donald Trump em sua rede social, Truth Social, no início de fevereiro. A peça, baseada em teorias conspiratórias sobre fraudes eleitorais, encerrava com imagens de Barack e Michelle Obama editadas em corpos de macacos.

“A maioria dos americanos considera esse comportamento profundamente perturbador”, afirmou Obama. “Vivemos uma espécie de espetáculo circense na TV e nas redes. O que assusta é que pessoas que antes zelavam pelo respeito ao cargo hoje não demonstram qualquer senso de propriedade ou vergonha. Isso se perdeu.”

Trump nega erro e descarta desculpas

A defesa de Donald Trump apresentou versões conflitantes sobre o episódio. Após a Casa Branca minimizar o caso como “indignação falsa”, o vídeo foi removido sob a justificativa de um erro de assessoria.

O próprio Trump alegou não ter assistido ao conteúdo até o fim: “Vi apenas a primeira parte. Acho que no final havia algo que as pessoas não gostaram. Eu também não gostaria”, declarou. Apesar da pressão de setores do Partido Republicano, o ex-presidente descartou qualquer pedido de desculpas: “Não cometi um erro. Eu vejo milhares de coisas”.

“Mancha na história”

A retórica foi duramente criticada por ex-aliados de Obama. Ben Rhodes, ex-conselheiro de Segurança Nacional, afirmou na rede X que o episódio define o legado de Trump como uma “mancha na história”, contrastando com a imagem que as futuras gerações terão dos Obama.

Para o ex-presidente, a solução para a “degeneração da crueldade” na política não virá de regulamentações, mas das urnas. Obama sugeriu que o radicalismo pode gerar um efeito bumerangue nas eleições de meio de mandato (midterms): “No fim das contas, a resposta virá do povo americano”.