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Herança da polarização: 43% dos brasileiros ainda desconfiam das urnas eletrônicas

Narrativa perde fôlego, mas ceticismo permanece enraizado em quase metade do eleitorado.

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Foto: Divulgação/TSE

Mesmo com o arrefecimento das campanhas ostensivas contra o sistema eletrônico de votação, a sombra da desconfiança ainda paira sobre as seções eleitorais do país. Um levantamento recente do instituto Genial/Quaest, realizado entre os dias 5 e 9 de fevereiro, revela um Brasil dividido: 43% dos eleitores afirmam não confiar nas urnas eletrônicas.

Os dados, antecipados pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, mostram que a maioria da população (53%) ainda defende a confiabilidade do sistema. Entretanto, a margem de ceticismo — que se aproxima da metade dos votantes — acende um alerta sobre as marcas duradouras deixadas pelo discurso político dos últimos anos.

O “efeito residual” das narrativas

A pesquisa, que ouviu 2.004 eleitores em 120 municípios, sugere que o questionamento institucional às urnas deixou de ser uma pauta diária nas redes sociais para se tornar uma convicção silenciosa e resiliente. Para analistas, esse “efeito residual” é reflexo direto da intensificação das críticas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante o último ciclo presidencial.

“O resultado indica que o discurso crítico, intensificado sobretudo no período eleitoral anterior, não se dissipou com o fim do pleito. Ele se cristalizou em uma parcela expressiva da opinião pública”, aponta o relatório da Quaest.

Divisão profunda

A disparidade de opiniões reflete a polarização que fragmentou o país. Enquanto órgãos internacionais e observadores independentes atestam a segurança do sistema brasileiro, a percepção de uma fatia relevante do eleitorado caminha em direção oposta, indicando que o tema continua sendo um “ponto cego” de sensibilidade política, mesmo em períodos de relativa calma institucional.

A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, o que confirma a robustez estatística de um país que, embora utilize a tecnologia há quase três décadas, ainda debate sua legitimidade básica.