A Polícia Civil investiga o assassinato de Paulo Cesar da Silva Souza, o Mestre Paulinho Sabiá, de 64 anos, como uma execução planejada. Um dos maiores nomes da capoeira mundial, Sabiá foi morto a tiros na noite de Quarta-feira de Cinzas (18), no bairro de Icaraí. Nesta quinta-feira, durante a liberação do corpo, familiares revelaram que o mestre já havia escapado de uma tentativa de homicídio apenas 48 horas antes do crime.
Segundo Adriana Possobom, irmã da vítima, Paulinho Sabiá sofreu um ataque na Segunda-feira de Carnaval enquanto caminhava em um bloco de rua em Icaraí. Na ocasião, um homem em uma motocicleta se aproximou e tentou disparar, mas a arma falhou.
“A namorada dele ouviu o estalo da arma falhando. No calor do Carnaval, ele chegou a achar que era uma brincadeira, mas registrou o caso na delegacia (77ª DP). Infelizmente, não conseguimos evitar que o pior acontecesse”, lamentou Adriana.
A emboscada na Quarta-feira de Cinzas
O crime definitivo ocorreu por volta das 22h de ontem, no cruzamento das ruas Sete de Setembro e Lemos Cunha. Sabiá estava no banco do carona de um carro dirigido pela namorada quando dois homens em uma moto emparelharam com o veículo.
O carona da motocicleta efetuou ao menos três disparos à queima-roupa contra o mestre. A namorada não foi atingida. Testemunhas afirmaram à polícia que a ação foi rápida e direcionada exclusivamente a Paulinho, reforçando a tese de execução.
Legado e Repercussão
Fundador do Grupo Capoeira Brasil em 1989 — ao lado de Mestre Boneco (Beto Simas) e Mestre Paulão Ceará —, Paulinho Sabiá era uma figura central na internacionalização da capoeira, com trabalho consolidado em dezenas de países.
“Meu irmão não tinha inimigos. Nos anos 80, ele foi um dos líderes do movimento para pacificar a capoeira, que era vista como algo agressivo”, afirmou a irmã. Nas redes sociais, grupos como o Grito Marcial lamentaram a perda de um “pilar da cultura brasileira e instrumento de transformação social”.
A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI) assumiu o caso e já realizou a perícia no local. Os agentes agora cruzam os dados do registro feito por Sabiá na segunda-feira com as imagens de câmeras de segurança da região para identificar os autores e a motivação do crime.






