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Alerj aprova interdição imediata de ferros-velhos que comercializarem cabos furtados

Proposta autoriza Polícia Civil a fechar estabelecimentos por até 180 dias já no momento do flagrante

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Em uma ofensiva direta contra o mercado ilegal que alimenta o apagão de serviços públicos no Rio de Janeiro, a Assembleia Legislativa do Estado (Alerj) aprovou, nesta quinta-feira (26), o projeto de lei que endurece a punição a ferros-velhos. A nova legislação autoriza o fechamento imediato de estabelecimentos flagrados com fios e cabos de concessionárias sem procedência comprovada. O texto segue agora para as mãos do governador Cláudio Castro (PL), que tem 15 dias úteis para sancioná-lo ou vetá-lo.

Tolerância zero no flagrante

A principal mudança está na agilidade da punição. Pela proposta, a Polícia Civil ganha o poder de determinar a interdição cautelar do local por até 180 dias no exato momento da operação. Para isso, basta que a origem ilícita do material seja atestada por laudo técnico ou reconhecida por representantes da concessionária prejudicada.

O cerco aperta ainda mais para os reincidentes: caso o estabelecimento volte a cometer a infração, poderá ser fechado definitivamente, respeitando-se o direito à ampla defesa.

Para o autor da proposta, deputado Claudio Caiado (PSD), a estratégia é asfixiar a logística do crime. “Se não há quem compre o fio furtado, o crime perde o sentido”, justifica o parlamentar, destacando que o foco deve estar em quem financia a ponta final da cadeia de receptação de cobre.

Prejuízos milionários e caos urbano

A urgência da medida é ilustrada pelos números e pelo impacto cotidiano na vida do fluminense. Somente nesta quinta-feira, enquanto os deputados votavam o projeto, um furto de apenas 10 metros de cabos na subestação da Pavuna deixou 21 mil pessoas sem energia elétrica na Zona Norte da capital.

De acordo com dados da concessionária Light, o rastro de destruição é alarmante:

  • Janeiro de 2024: R$ 725 mil em prejuízos diretos.
  • Desde 2023: Mais de 255 mil clientes afetados por interrupções.
  • Prejuízo acumulado: Estimado em R$ 45 milhões.

Além da energia, o furto de cabos paralisa trens e metrô, apaga semáforos em cruzamentos críticos e interrompe serviços de internet e telefonia, afetando a segurança e a economia do estado.