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PF prende delegado e policiais civis acusados de extorsão contra traficantes do CV

Cerca de 40 policiais federais saíram para cumprir quatro mandados de prisão e três mandados de busca e apreensão no Rio

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reprodução

A Polícia Federal prendeu um delegado e outros dois policiais civis na manhã desta terça-feira (10), desarticulando um núcleo composto por agentes públicos acusados de usar uma delegacia para extorquir dinheiro de traficantes do Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro.

Na ação, foram detidos o delegado Marcus Henrique de Oliveira Alves e os policiais civis Franklin Jose de Oliveira Alves e Leandro Moutinho de Deus. Eles trabalhavam na 44ª DP (Inhaúma).

As apurações revelaram que o esquema era liderado pelo delegado e por um policial civil. Segundo as investigações, eles emitiam intimações para coagir e pressionar lideranças do CV, exigindo pagamento de propinas significativas para que ignorassem os atos de ofício.

A negociação ilícita ocorria com cobranças incisivas e imposição de prazos, ainda de acordo com as investigações.

Para receber o pagamento de propina e manter um distanciamento físico dos traficantes, os policiais contavam com a atuação de dois intermediários.

A inteligência financeira da PF detectou que os investigados apresentam movimentação patrimonial milionária e incompatível com seus salários.

A estrutura criminosa contava ainda com uma rede de empresas de fachada registrada em nome de parentes para promover a ocultação e dissimulação dos valores.

Em nota, a Polícia Civil disse não compactuar com desvio de conduta e aguarda desdobramento das investigações. Os representantes legais dos investigados presos não foram localizados.

Na ação, a PF cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e outros três mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os investigados responderão pelos crimes de organização criminosa, extorsão, corrupção passiva e ativa e lavagem de capitais.

Os agentes investigados também foram afastados das suas funções públicas. O Supremo também suspendeu o exercício de atividades empresariais e bloqueou valores em contas bancárias e de criptoativos de outros investigados na mira da operação da PF.

Na segunda fase da “Operação Anomalia”, a investigação mira as conexões entre agentes públicos e organizações criminosas. Nesta segunda-feira, três pessoas já haviam sido presas. Entre elas, um delegado da própria PF.