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Redes sociais: uso excessivo deixa jovens mais infelizes, diz relatório

A pesquisa, divulgada nesta quinta-feira (19), tem como base um amplo estudo global

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A pesquisa mostra que os jovens ficam cerca de 2,5 horas, por dia

O uso intensivo de redes sociais torna os jovens mais infelizes. É o que aponta o Relatório Mundial da Felicidade de 2026, publicado nesta quinta-feira (19/3), com base num amplo estudo global.

Os efeitos da “significativa queda no bem-estar” dependem do tipo de plataforma, como ela é usada e fatores demográficos, a exemplo do nível socioeconômico e gênero, segundo os autores. A pesquisa incluiu a consulta de adolescentes de 15 anos em 50 países.

Os jovens que usam as redes sociais por menos de uma hora por dia apresentam os níveis mais elevados de bem-estar, superiores aos daqueles que nunca se conectam a elas. No entanto, os adolescentes passam estimadas 2,5 horas por dia, em média, nas redes sociais.
O relatório é publicado pelo centro em parceria com a Gallup Data Poll, a Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU) e um conselho editorial independente.

Efeito maior sobre meninas
O impacto negativo das redes sociais é maior sobre as jovens do sexo feminino. Ao redor do mundo, as meninas que usam de zero a uma hora por dia as mídias sociais se diziam mais satisfeitas com as suas vidas do que as usuárias frequentes. Quanto mais horas de uso, menor o nível de satisfação.

Citadas pelo relatório, pesquisas anteriores já indicaram que o Instagram pode piorar a imagem delas sobre o próprio corpo, aumentar ansiedade e depressão ou prejudicar a sua autoconfiança. Diversos países têm discutido a proibição do uso de redes para menores de idade. Em dezembro, a Austrália aumentou a idade mínima de 13 para 16 anos para o uso de dez plataformas.

Já a Espanha planeja proibir o acesso às redes sociais para menores de 16 anos e as plataformas serão obrigadas a implementar sistemas de verificação de idade. Enquanto isso, legisladores franceses deram neste ano o primeiro passo para vetar o uso para adolescentes de até 15 anos.

De forma geral, as plataformas baseadas em conteúdo selecionado por algoritmos tendem a apresentar uma relação negativa com o bem-estar, especifica o relatório. Outros fatores-chave são o foco nas imagens e nos influencers.

No Brasil, entrou em vigor na terça-feira o a lei do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, conhecida como ECA Digital, voltada exclusivamente para a proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais.
Já as redes projetadas para facilitar as conexões sociais mostram uma clara relação positiva com a felicidade, afirmam os pesquisadores, citando dados de sete países da América Latina, incluindo o Brasil.

A região registrou um elevado nível de bem-estar entre os jovens, mesmo com intenso uso de mídias sociais. Em comparação, a juventude no Reino Unido e na Irlanda eram mais infelizes do que o esperado para o seu padrão de uso das mídias sociais.

“De modo geral, a América Latina possui laços familiares e sociais fortes, mais do que em outros lugares”, segundo De Neve. A Costa Rica, no relatório deste ano, pulou do 23º lugar em 2023 para o 4º lugar num ranking dos 147 países com maior nível de felicidade.
Já o Brasil ficou em 32º lugar no ranking geral de felicidade, na frente de França, Itália, Argentina, Colômbia e Portugal. A Alemanha ficou na 17ª posição. A classificação resulta das respostas de 100 mil participantes.