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CPMI do INSS termina em impasse e rejeita relatório que pedia indiciamento de “Lulinha” e ex-ministros

Após sessão de 15 horas, colegiado encerra trabalhos sem aprovar documento que recomendava o indiciamento de mais de 200 pessoas.

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A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS chegou ao fim na madrugada deste sábado (28) sem um desfecho oficial. Por 19 votos a 12, os parlamentares rejeitaram o relatório final apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), que recomendava o indiciamento de mais de 200 pessoas, incluindo políticos de alto escalão e familiares do atual presidente.

Como este sábado era a data limite para a conclusão dos trabalhos, o colegiado se extingue sem a aprovação de um texto substitutivo, uma vez que o presidente da CPMI encerrou a sessão logo após a derrota do parecer de Gaspar, sem colocar em votação a proposta da base governista.

O Relatório Rejeitado

O parecer do deputado Alfredo Gaspar era contundente. O relator pedia o indiciamento de figuras centrais de diferentes governos, alegando a existência de uma organização criminosa instalada na cúpula da administração previdenciária para operar descontos indevidos em benefícios de aposentados.

O ponto mais sensível do documento era o pedido de indiciamento e a sugestão de prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Gaspar argumentava haver “indícios concretos” de risco de fuga e apontava repasses financeiros suspeitos a Lulinha ligados ao esquema.

Alvos de Peso: De Bolsonaro a Lupi

A lista de indiciamentos sugerida pelo relator atravessava o espectro político, atingindo nomes como:

  • Carlos Lupi: Atual ministro da Previdência (Governo Lula), acusado de omissão e blindagem política.
  • José Carlos Oliveira (Mohamad Oliveira): Ex-ministro do Trabalho e Previdência (Governo Bolsonaro), apontado como beneficiário da rede.
  • José Sarney Filho: Ex-ministro e ex-deputado, citado por repasses milionários de origem investigada.
  • Parlamentares: O senador Weverton Rocha (PDT-MA) e os deputados Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e Gorete Pereira (MDB-CE) também figuravam na lista de pedidos de indiciamento.

Reação Governista e Impasse Final

Parlamentares da base do governo tentaram emplacar um relatório alternativo. O texto governista poupava o entorno de Lula e focava no ex-presidente Jair Bolsonaro, no senador Flávio Bolsonaro e em executivos do setor financeiro, como Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Entretanto, com o encerramento abrupto da sessão às 01h14, nenhum dos dois lados obteve vitória política formal. “É uma pena que a gente não tenha completado o trabalho com o relatório aprovado. Mas saio de cabeça erguida de que demos respostas ao Brasil”, declarou o presidente da comissão, senador Rogério Viana, ao confirmar que enviará cópias do relatório rejeitado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) para fins de investigação independente.

Principais nomes citados no parecer de Gaspar:

  • Núcleo Político/Familiar: Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha); Carlos Lupi; José Sarney Filho.
  • Setor Bancário: Daniel Vorcaro (Banco Master), Artur Azevedo (C6 Consignado) e Eduardo Chedid (PicPay).
  • Gestão Pública: Alessandro Stefanutto (ex-presidente do INSS), Leonardo Rolim (ex-presidente do INSS) e Rodrigo Assumpção (ex-Dataprev).