A tarde de sexta-feira (27) no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, foi marcada por uma cena de horror que rapidamente viralizou nas redes sociais: uma criança aos prantos, sendo amparada por vizinhos, ao lado do corpo da mãe estirado na calçada. A vítima, Andressa Nascimento, de 35 anos, foi baleada e morta durante uma operação da Polícia Militar na comunidade.
Segundo relatos de moradores, Andressa estava próxima a uma mercearia da região quando os disparos começaram. O episódio gerou uma onda imediata de revolta e luto. Nas redes sociais, o clima é de indignação. “Infelizmente, vivemos em uma guerra que parece não ter fim! Um filho sem mãe, um vazio em casa”, lamentou um pastor da comunidade.
Amigos descrevem Andressa como uma pessoa alegre e contagiante. Para uma sobrinha da vítima, o sentimento é de injustiça: “Ficaram os filhos, o vazio e a marca de uma injustiça que insiste em atingir quem nada tinha a ver com o conflito”.
Noite de protestos e tensão
Em resposta à morte da moradora, o bairro de Itaúna tornou-se palco de manifestações durante a noite. Moradores incendiaram barricadas e bloquearam vias principais. De acordo com informações locais, ao menos um ônibus foi sequestrado e utilizado pelos manifestantes para obstruir a pista, interrompendo o tráfego na região.
Versão oficial e investigações
A Polícia Militar informou que a operação teve início ainda pela manhã, com o objetivo de remover barricadas. No fim da tarde, após receberem informações de um suposto criminoso ferido no conjunto da Marinha, os agentes solicitaram apoio de um veículo blindado da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Segundo a PM, as equipes foram atacadas por criminosos armados e, durante o confronto, Andressa teria sido atingida. Na mesma ação, quatro policiais ficaram feridos — três por estilhaços e um por torção. Todos foram atendidos no Hospital Estadual Alberto Torres (Heat) e já receberam alta.
A PRF confirmou que foi acionada em caráter de urgência para prestar suporte ao Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e ao 7º BPM (São Gonçalo), que estariam sob forte ataque no interior da comunidade.
O caso agora está sob investigação da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG). A Polícia Civil informou que diligências estão em andamento para realizar a perícia e esclarecer de onde partiu o tiro que vitimou a moradora. Até o fechamento desta matéria, não havia informações confirmadas sobre o horário e local do sepultamento.






