O consumidor brasileiro encontrará uma Páscoa mais salgada em 2026. Impulsionado pela quebra de safra nas principais regiões produtoras de cacau do mundo, o preço do chocolate disparou, consolidando-se como um dos principais vilões da inflação no período. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado na última semana, o produto acumulou uma alta de 24,77% nos últimos 12 meses.
O cenário reflete o repasse dos custos de produção após um período de instabilidade climática severa. O fenômeno El Niño comprometeu lavouras na Costa do Marfim e em Gana — responsáveis por cerca de 60% da oferta global —, elevando os preços da commodity a patamares históricos nos últimos anos.
Redução de tamanho e “choque de oferta”
Para o economista Sandro Maskio, professor da Strong Business School, o mercado vive um movimento estrutural. “Não é um aumento pontual, mas um choque de oferta global que se transmite diretamente ao varejo”, alerta. Diante de preços que podem atingir até R$ 500 por quilo em marcas premium, a estratégia da indústria tem sido a “reduflação”: reduzir o peso das embalagens para manter o valor final acessível.
Marco Lessa, fundador do Chocolat Festival, observa que a adaptação é a palavra de ordem no setor. “A tendência é de ovos menores e novas composições. Onde se via um ovo de 1 kg, agora teremos opções de 500g ou 300g para equilibrar o caixa”, afirma.
Estratégias para o bolso
Com o preço médio do ovo de Páscoa estimado em R$ 80,28 em 2026 — uma alta acumulada de 27% em dois anos —, o comportamento de compra está mudando. Levantamentos indicam as principais tendências para este ano:
- Migração para barras e bombons: O consumidor tem trocado o formato tradicional de ovo por tabletes e caixas de bombons, que apresentam menor variação de preço por grama.
- Apostas em brindes e licenciados: Itens infantis mantêm a procura, mas com oscilações que chegam a 39% em comparação ao ano passado em algumas regiões.
- Vendas recordes em faturamento: Apesar da alta, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) projeta que a data deve movimentar R$ 3,57 bilhões, um recorde nominal puxado justamente pelo aumento dos preços.
Apesar da recente queda nas cotações internacionais do cacau em relação aos picos de 2024, especialistas explicam que o consumidor final ainda não sente o alívio devido ao “repasse defasado” de estoques e custos logísticos e de energia.






