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Governador interino do Rio demite diretor financeiro da Cedae após investimento de risco no Master

Exoneração de Antonio Carlos dos Santos ocorre após estatal aplicar R$ 200 milhões em banco sob suspeita de fraude; regras internas foram flexibilizadas para viabilizar aporte.

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O governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, determinou a demissão imediata de Antonio Carlos dos Santos da Diretoria Administrativa e Financeira da Cedae. A decisão foi motivada por fortes questionamentos sobre a gestão de investimentos da companhia e a condução de políticas que elevaram a exposição da estatal a riscos financeiros.

Antonio Carlos é apontado como o principal articulador de uma mudança nas normas internas que permitiu à Cedae realizar um aporte de aproximadamente R$ 200 milhões em papéis do Banco Master. Pouco tempo após a operação, a instituição financeira entrou em processo de liquidação sob suspeita de gestão fraudulenta, colocando em xeque o patrimônio da estatal.

Flexibilização de regras ampliou vulnerabilidade

Documentos internos revelam que a alteração na política de aplicações financeiras foi liderada pelo agora ex-diretor apenas dez meses após ele assumir o cargo. Sob o argumento de que a revisão era “oportuna e urgente”, os critérios de segurança para investimentos foram drasticamente reduzidos:

  • Rebaixamento de Rating: Anteriormente, a Cedae só podia aplicar recursos em bancos com classificação mínima A. Com a mudança, passou a ser permitido o investimento em instituições com rating BBB (nível considerado de maior risco).
  • Menos rigor na avaliação: A exigência de análise por pelo menos duas grandes agências de risco foi cortada para apenas uma, facilitando a aprovação do aporte no Banco Master.

Histórico sob investigação

A atuação de Antonio Carlos dos Santos já vinha sendo monitorada. Relatórios recentes apontam que, além do investimento sob suspeita, a diretoria sob seu comando acumulou representações no Tribunal de Contas do Estado (TCE) devido a irregularidades em processos licitatórios.

A saída do diretor faz parte de uma reestruturação iniciada pelo novo governo no Palácio Guanabara, que busca auditar contratos e investimentos realizados em gestões anteriores.