A tradicional Igreja da Candelária, no Centro do Rio, iniciou um processo raro de conservação: a retirada dos três principais vitrais do templo para restauração completa. Instaladas em 1899, as peças — de origem alemã — passam, pela primeira vez em 127 anos, por intervenção fora do local.
Ao todo, 111 fragmentos estão sendo cuidadosamente desmontados, catalogados e embalados por especialistas em patrimônio histórico. Cada vitral é dividido em 37 partes, o que exige um trabalho minucioso. A obra central retrata Nossa Senhora da Candelária com o Menino Jesus, acompanhada por figuras angelicais nos painéis laterais.
A operação contou com a montagem de uma estrutura especial para garantir a segurança durante a retirada. O processo também serviu como atividade prática para estudantes de áreas como museologia e artes, que acompanharam de perto as etapas de análise e conservação das peças.
O restauro, autorizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, deve durar cerca de quatro meses. Parte dos vidros danificados ao longo das décadas será substituída por peças importadas da Alemanha, produzidas pela mesma fabricante original, a Casa Mayer.
Além da recuperação estrutural, o projeto prevê limpeza especializada, revitalização das cores e instalação de sistemas de proteção contra umidade e impactos externos. A iniciativa também inclui ações educativas, formação de mão de obra especializada e atividades culturais voltadas à preservação do patrimônio.
Com investimento de cerca de R$ 1,6 milhão, a ação é coordenada pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade em parceria com a irmandade responsável pelo templo e apoio internacional. O objetivo é garantir a conservação de um dos principais símbolos históricos e religiosos da cidade para as próximas gerações.






