Celulares antigos, carregadores esquecidos, pilhas usadas e cabos sem utilidade fazem parte de um problema ambiental crescente no Brasil. O país é atualmente o quinto maior gerador de lixo eletrônico do mundo, com cerca de 2,4 milhões de toneladas produzidas anualmente.
Apesar do volume expressivo, apenas uma pequena parcela desses resíduos recebe o destino correto. Isso ocorre porque os equipamentos eletrônicos são compostos por diferentes materiais, como plástico, vidro, metais e substâncias químicas, que exigem um processo complexo de separação antes de serem reciclados.
Esse procedimento, conhecido como manufatura reversa, envolve a desmontagem detalhada dos aparelhos para que cada componente seja reaproveitado. Em um celular, por exemplo, partes plásticas e metálicas podem retornar à indústria, enquanto a bateria precisa de tratamento específico para evitar riscos ambientais.
Um dos principais desafios está nas placas eletrônicas, que contêm metais preciosos como ouro e prata. Como o Brasil ainda não possui tecnologia suficiente para extrair esses materiais, o processamento final depende de empresas no exterior.
Embora exista legislação que obriga fabricantes e comerciantes a recolherem produtos descartados, a adesão ainda é limitada. A Green Eletron, por exemplo, recolheu 12,5 mil toneladas em 2025 — número ainda pequeno diante do total gerado.
Especialistas apontam a baixa fiscalização como um dos entraves e defendem medidas mais rigorosas para ampliar a responsabilidade das empresas no processo.
Para o consumidor, o descarte correto pode ser feito por meio de fabricantes, pontos de coleta especializados ou iniciativas apoiadas por prefeituras. A destinação adequada evita a contaminação do meio ambiente e permite o reaproveitamento de materiais valiosos, contribuindo para a redução do impacto ambiental.






