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Câmeras corporais mostram PMs monitorando empresário antes de morte na Pavuna

Gravações que contradizem versão apresentada por PMs sobre morte de empresário na Pavuna

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reprodução TV Globo

Imagens exclusivas de câmeras corporais obtidas pelo Fantástico mostram policiais militares monitorando o empresário Daniel Patrício Santos Oliveira antes de ele ser morto a tiros na Pavuna, na Zona Norte do Rio.

Os vídeos registram o momento em que um PM avança em direção à caminhonete e dispara dezenas de tiros de fuzil.

O crime aconteceu na madrugada do dia 22. Nas gravações, um policial avisa ao colega: “Tá descendo o Russo agora!”Logo em seguida, Daniel entra na rua e é alvo dos disparos. Segundo a investigação, não havia blitz, bloqueio nem ordem de parada.

Daniel não estava sozinho no veículo. Três acompanhantes sobreviveram e aparecem nas imagens logo após os tiros.

Um deles grita: “Meu Deus, mano. Pelo amor de Deus, mano! Coé meu chefe, que que a gente fez?” Outro relata que o empresário foi atingido no rosto.

Depois dos disparos, moradores se aproximaram e questionaram a ação policial. O PM que atirou apresentou uma versão diferente do que aparece nas imagens. Disse que o carro teria acelerado contra a guarnição no momento de uma suposta abordagem.

As câmeras também gravaram o policial orientando como o caso deveria ser registrado oficialmente. Ele fala em “averiguação de pessoa e veículo”, “troca de tiro” e “legítima defesa”. Em seguida, repete a mesma narrativa por telefone e depois na delegacia.

Segundo a Corregedoria da Polícia Militar, os vídeos mostram que os agentes acompanhavam Daniel desde 1h53 da madrugada. Os tiros foram disparados às 3h06. Durante o período, os policiais receberam informações de um olheiro sobre os passos da vítima.

Foi com base nessas informações que os policiais montaram a emboscada, segundo a investigação. Um deles se posicionou na rua onde Daniel passaria. Quando a caminhonete se aproximou, o PM avançou a pé e atirou. Daniel morreu com um tiro na cabeça.

Os policiais demonstraram impaciência enquanto aguardavam a chegada da vítima. Um dos agentes chegou a reclamar da demora, afirmando que não tinha paciência nenhuma para esperar, ao que o colega ponderou sobre a natureza do trabalho e sugeriu que o uso de tecnologia facilitaria a emboscada:

“É difícil, mas é o trabalho, tem que ter paciência. Se tivesse um dronezinho era melhor ainda”.

O empresário tinha 29 anos, era casado, tinha uma filha pequena e trabalhava com eletrônicos. A família se preparava para se mudar para Foz do Iguaçu.

Os dois policiais foram presos no mesmo dia por homicídio doloso. A Corregedoria afirmou que a ação não seguiu nenhum protocolo formal. O governo do Rio de Janeiro informou que pagará indenização à família. O Ministério Público investiga agora a motivação do crime.