A Polícia Federal contabilizou a apreensão de mais de R$ 5 milhões em dinheiro vivo e 11 relógios de luxo durante a Operação Mare Liberum, que investiga um esquema de corrupção no Porto do Rio de Janeiro. Os valores foram encontrados em endereços ligados a auditores fiscais da Receita Federal, alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos na terça-feira (28/04).
Ao todo, foram recolhidos cerca de R$ 5,09 milhões em espécie, distribuídos em reais, dólares, euros e libras. A operação também resultou na apreensão de 54 celulares, 17 veículos, 17 passaportes, além de uma arma com munições. Em outro endereço, agentes encontraram ainda 54 garrafas de vinho de alto valor.
Um analista da Receita foi preso em flagrante por posse ilegal de arma. A Justiça determinou ainda o afastamento de 17 auditores fiscais e oito analistas tributários, além do bloqueio de até R$ 102 milhões em bens dos investigados. Nove despachantes tiveram as atividades suspensas no porto.
A ação, realizada em conjunto com o Ministério Público Federal, apura um esquema de pagamento de propina para facilitar a liberação irregular de contêineres. O prejuízo estimado aos cofres públicos pode chegar a R$ 500 milhões.
Segundo as investigações, cerca de 17 mil declarações de importação foram consideradas “potencialmente contaminadas” por irregularidades, somando aproximadamente R$ 86,6 bilhões em mercadorias entre julho de 2021 e março de 2026.
As diligências foram realizadas na capital fluminense e em cidades da Região Metropolitana e de outros estados, incluindo a área da alfândega do porto. Os investigados podem responder por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, contrabando, descaminho e organização criminosa.
A PortosRio informou que não é alvo da investigação e que a operação ocorre em áreas sob responsabilidade de órgãos federais. Segundo a companhia, as atividades no porto seguem normalmente.










