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Polícia Civil asfixia braço financeiro do Comando Vermelho na Zona Norte

Ação no Complexo da Maré e Bonsucesso mira esquema de roubo de cargas e veículos que já acumula prejuízo de R$ 70 milhões ao crime organizado.

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A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta terça-feira (5), uma nova fase da Operação Torniquete. O foco da ofensiva é desarticular uma célula do Comando Vermelho (CV) especializada em roubos de veículos e cargas, além do comércio ilegal de armas, que opera a partir da Zona Norte da capital.

Agentes da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA-CAP), com o apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), cumprem mandados de busca e apreensão em pontos estratégicos da Nova Holanda (Complexo da Maré) e no bairro de Bonsucesso.

As investigações revelam que o grupo não se limitava à abordagem violenta nas ruas. A estrutura contava com um braço logístico sofisticado para dar aparência de legalidade aos produtos roubados:

  • Uso de laranjas: Empresas de fachada eram utilizadas para movimentar o dinheiro.
  • Falsificação: Documentos e notas fiscais eram adulterados para “esquentar” cargas.
  • Vendas Online: O grupo utilizava plataformas digitais clandestinas para comercializar armas, munições e acessórios militares.

O Golpe no Financiamento das Facções

Segundo a Polícia Civil, o roubo de carga e veículos tornou-se o principal motor financeiro para a manutenção de territórios e sustento de lideranças da facção, inclusive as que se encontram em unidades prisionais.

“A Operação Torniquete é uma estratégia contínua. Não buscamos apenas a prisão imediata, mas o bloqueio de bens que asfixia a capacidade de rearmamento dessas quadrilhas”, afirmou um dos investigadores da DRFA.

Desde o início, em setembro de 2024, a Operação Torniquete já efetuou mais de 900 prisões. Ainda foram recuperados cargas e veículos avaliados em R$ 52 milhões e bloqueio de mais de R$ 70 milhões em bens e valores congelados por ordens judiciais.

O material apreendido nesta terça-feira — que inclui dispositivos eletrônicos, mídias e documentos — será submetido à perícia técnica. O objetivo é cruzar dados para identificar os receptadores de grande porte e os “contatos” que facilitavam a logística do grupo fora das comunidades.