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Relatório aponta assassinato de JK pela ditadura e pode mudar versão oficial da morte

Comissão de Mortos e Desaparecidos deve votar parecer que atribui ao Estado a responsabilidade pela morte do ex-presidente

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Juscelino Kubitschek. Foto: Reprodução

Um relatório da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos concluiu que o ex-presidente Juscelino Kubitschek pode ter sido assassinado durante a ditadura militar, contrariando a versão oficial de acidente de carro mantida há quase cinco décadas.

O documento foi elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão e ainda será analisado pela comissão. Caso seja aprovado, a certidão de óbito de JK e de seu motorista, Geraldo Ribeiro, poderá ser alterada para registrar morte violenta causada pelo Estado por motivação política.

Juscelino morreu em 22 de agosto de 1976, em um acidente na Via Dutra. Na época, as investigações apontaram que o carro em que ele estava perdeu o controle após uma suposta colisão com um ônibus. Essa versão foi confirmada por investigações posteriores.

Carro do presidente Juscelino Kubitschek. Foto: Reprodução

No entanto, novas análises técnicas e investigações do Ministério Público Federal passaram a questionar a narrativa oficial. Um laudo revisado pelo engenheiro Sergio Ejzenberg descartou indícios de choque com o ônibus e apontou inconsistências nas perícias realizadas na época.

O relatório também destaca o contexto político do período. Cassado pelo regime militar em 1964, JK era considerado uma das principais lideranças de oposição e teria sido monitorado no âmbito da Operação Condor.

A eventual reclassificação da morte não prevê indenização à família, mas é vista como uma medida de reparação histórica e revisão oficial de um dos episódios mais marcantes da política brasileira.