O mercado imobiliário do Rio de Janeiro tem registrado um crescimento expressivo na participação de compradores estrangeiros, principalmente em estúdios e imóveis compactos voltados para aluguel por temporada. A demanda se concentra em bairros como Copacabana, Ipanema, Leblon e também no Centro, áreas que vêm atraindo investidores interessados em unir uso ocasional e geração de renda com locações ao longo do ano.
Levantamentos do setor, divulgados pelo jornal O Globo, mostram que imobiliárias, construtoras e administradoras de imóveis observam uma alta contínua desse público nos últimos anos. A empresa Lobie, especializada em gestão de imóveis de curta temporada, informou que a participação de estrangeiros entre seus clientes subiu de cerca de 2% para 18% em três anos. Hoje, a empresa administra mais de 1.600 estúdios pertencentes a investidores de fora do Brasil.
Entre os principais compradores estão europeus, seguidos por latino-americanos, com destaque para argentinos, além de investidores dos Estados Unidos e dos Emirados Árabes Unidos.
A tendência também é confirmada pela imobiliária Patrimóvel, que aponta que 32% dos estúdios vendidos entre novembro do ano passado e abril deste ano, em Copacabana, Ipanema e Leblon, foram adquiridos por estrangeiros. Há compradores de países como Espanha, França, Inglaterra, Suíça, Romênia, Nova Zelândia e Argentina.
Esse avanço já tem levado empresas do setor a adaptar processos de venda e análise de crédito. A construtora Cury, por exemplo, criou formatos específicos para atender clientes internacionais. Segundo a empresa, cerca de 4% dos mais de 2 mil estúdios lançados no Rio foram vendidos diretamente a estrangeiros.
Outro grupo que registra crescimento desse perfil é o Opportunity Imobiliário, responsável pelos empreendimentos da marca Be.in.Rio. A empresa afirma que mais de 20% dos compradores atuais são estrangeiros, com predominância de europeus.
Especialistas apontam que o movimento é impulsionado pela valorização turística do Rio, pelo crescimento das plataformas de aluguel por temporada e pelo câmbio favorável para quem recebe em dólar ou euro.
Para o diretor da Sérgio Castro Imóveis, Claudio Castro, a presença de investidores estrangeiros ajuda a movimentar o setor e pode contribuir para a renovação de imóveis na cidade. Segundo ele, o Rio ainda possui um parque imobiliário degradado, e a entrada desse capital externo tem ajudado a revitalizar imóveis e a impulsionar mudanças no mercado carioca.










