O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), usou as redes sociais na noite desta sexta-feira (15) para contestar as suspeitas levantadas pela Polícia Federal na Operação Sem Refino. No pronunciamento em vídeo, Castro classificou as acusações de “ilações irresponsáveis”, reafirmou a lisura de seus atos técnicos e garantiu que sua gestão foi a única no país a forçar o Grupo Refit (antiga Refinaria de Manguinhos) a pagar obrigações com o erário público, injetando cerca de R$ 1 bilhão nos cofres fluminenses.
Deflagrada com o aval do Ministério Público Federal e autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Operação Sem Refino investiga um complexo esquema de gestão fraudulenta, lavagem de capitais, sonegação fiscal e evasão de divisas estimado em um rombo de R$ 52 bilhões.
No relatório que embasou as buscas, a PF aponta que sob a gestão de Cláudio Castro, a Secretaria de Fazenda do Rio de Janeiro teria funcionado como uma “extensão da estrutura empresarial do Grupo Refit”. A corporação aponta que a Lei Complementar nº 225/2025, proposta pelo ex-governador para criar um programa de parcelamento de créditos tributários, foi desenhada sob medida para favorecer o conglomerado logo após o parque industrial da empresa ter sido interditado na Operação Cadeia de Carbono. Há suspeitas de que a refinaria tenha influenciado a troca de secretários estaduais e do próprio Procurador-Geral do Estado para neutralizar vozes que se opunham ao esquema.
O controlador da Refit, Ricardo Magro, teve a sua prisão preventiva decretada na mesma ação, mas encontra-se foragido nos Estados Unidos, o que motivou o STF a incluir seu nome na Difusão Vermelha da Interpol.
A Defesa do Ex-Governador: “Não Houve Privilégio”
Em seu vídeo de resposta, Cláudio Castro rebateu duramente as acusações e defendeu o caráter impessoal de sua política fiscal.
“Sobre a empresa alvo da operação, todos sabem que é uma das maiores devedoras do país e possui passivos com praticamente todos os estados e com a União. Mas adivinhem só, qual é o único estado que conseguiu cobrar impostos devidos por essa empresa? O Estado do Rio de Janeiro”, asseverou o político.
Castro destacou que o acordo bilionário firmado pela Procuradoria Geral do Estado comprova o esforço institucional para reaver o dinheiro público, e não uma atuação para blindar privilégios. O ex-governador complementou afirmando que seus advogados irão a Brasília apresentar um memorial técnico ao STF para desatar o que chamou de “narrativa estranha” formulada pela autoridade policial.
Desdobramentos Judiciais
Ao todo, a PF cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e afastou sete servidores públicos de suas funções no Distrito Federal, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Na residência do ex-governador, os agentes retiveram um celular e um tablet. No endereço de um policial civil também listado entre os 14 alvos da operação, foram apreendidos R$ 500 mil em espécie.
Em posicionamento oficial emitido após as buscas, a Refit declarou que suas discussões tributárias ocorrem estritamente nas esferas administrativa e judicial, negou qualquer falsificação de documentos e rechaçou as acusações de fornecimento de combustíveis a facções do crime organizado.










