Ouça agora

Ao vivo

Reproduzir
Pausar
Sorry, no results.
Please try another keyword
Ancelotti anuncia convocação oficial do Brasil para a Copa; Neymar está na lista
Destaque
Ancelotti anuncia convocação oficial do Brasil para a Copa; Neymar está na lista
Cederj prorroga inscrições do vestibular com mais de 7,5 mil vagas no Rio
Estado
Cederj prorroga inscrições do vestibular com mais de 7,5 mil vagas no Rio
Unicef lança guia para reforçar proteção de crianças em festas populares e grandes eventos
Brasil
Unicef lança guia para reforçar proteção de crianças em festas populares e grandes eventos
Polícia Civil do Rio reforça frota com 74 novas viaturas semiblindadas
Estado
Polícia Civil do Rio reforça frota com 74 novas viaturas semiblindadas
Flávio Dino relata ameaça em aeroporto e pede campanhas de respeito contra discurso de ódio
Brasil
Flávio Dino relata ameaça em aeroporto e pede campanhas de respeito contra discurso de ódio
MPRJ pede suspensão de obra em Ipanema por supostas irregularidades em área preservada
Estado
MPRJ pede suspensão de obra em Ipanema por supostas irregularidades em área preservada
Atirador invade mesquita e mobiliza polícia em San Diego, nos Estados Unidos
Mundo
Atirador invade mesquita e mobiliza polícia em San Diego, nos Estados Unidos
2804-prefni-banner-saedas-728x90
2804-prefni-banner-saedas-728x90
previous arrow
next arrow

População acha que relação entre Lula e o Congresso tem mais confrontos do que de colaboração

Pesquisa Datafolha aponta desgaste entre Executivo e Legislativo

Siga-nos no

Agência Brasil

A relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Congresso Nacional é percebida pela maior parte da população brasileira como marcada por conflitos e disputas políticas. É o que mostra a nova pesquisa do instituto Datafolha, segundo a qual 70% dos entrevistados avaliam que há mais confronto do que colaboração entre o Palácio do Planalto e o Legislativo.

Apenas 20% enxergam uma relação predominantemente cooperativa entre governo e parlamentares. Outros 2% afirmaram não perceber nem confronto nem colaboração, enquanto 8% disseram não saber opinar.

O levantamento ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios brasileiros entre terça-feira (12) e quarta-feira (13). A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00290/2026.

A maior parte das entrevistas foi realizada antes da divulgação de conversas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, em um episódio que ampliou o desgaste político em Brasília.

Sequência de embates
A percepção de conflito entre os Poderes acompanha uma série de disputas ocorridas ao longo do atual mandato de Lula. Desde 2023, o Congresso impôs derrotas importantes ao governo federal em diferentes áreas.

Naquele ano, parlamentares retiraram atribuições dos ministérios do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas, reduzindo competências das pastas logo no início da gestão petista.

Em 2024, deputados e senadores derrubaram vetos presidenciais relacionados às chamadas “saidinhas” de presos e ao projeto conhecido como “PL do Veneno”, que trata das regras para uso de agrotóxicos.

Já em 2025, o Congresso rejeitou mudanças nas alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), no que foi considerada a primeira reversão de um decreto presidencial desde o governo Collor. Parlamentares também barraram uma medida provisória que previa aumento de impostos.

A reação do governo e de integrantes do PT ocorreu principalmente pelas redes sociais, com a retomada do slogan “Congresso inimigo do povo”, utilizado por setores da esquerda para criticar a atuação do Legislativo.

Neste ano, as tensões atingiram um dos pontos mais delicados do mandato com a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal). O episódio foi interpretado como uma derrota política histórica para o governo.

Além disso, senadores derrubaram o veto presidencial à proposta que reduziu penas de condenados por atos golpistas.

Vitórias do governo
Apesar das derrotas, o governo também conseguiu aprovar projetos considerados estratégicos. Entre eles, a reforma tributária e a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais.

O presidente Lula também costurou um acordo com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para avançar com a proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1, considerada uma pauta prioritária para o campo governista.

No Senado, o Palácio do Planalto tenta destravar a tramitação da PEC da Segurança Pública, que segue parada.

Ao mesmo tempo, Lula busca reconstruir pontes com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, após o desgaste provocado pela rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo.

Percepção negativa
Entre os entrevistados que enxergam mais confronto do que colaboração entre Executivo e Legislativo, 89% afirmam considerar essa situação negativa para o Brasil. Apenas 10% avaliam o cenário como positivo.

Já entre os que percebem maior colaboração entre Lula e o Congresso, 58% entendem que a relação é positiva para o país, enquanto 38% avaliam negativamente essa parceria.

Os dados mostram que, independentemente do alinhamento político, há forte percepção de desgaste institucional em Brasília.

Congresso em baixa
A pesquisa também aponta deterioração da imagem do Congresso Nacional perante a população.

O trabalho de deputados federais e senadores é considerado ruim ou péssimo por 37% dos entrevistados. Apenas 15% classificam a atuação parlamentar como boa ou ótima. A maior parcela, 43%, considera o desempenho regular.

Os números mantêm estabilidade em relação ao levantamento realizado no início de março, quando 39% avaliavam o Congresso como ruim ou péssimo, 14% o classificavam como ótimo ou bom e 42% o consideravam regular.

A insatisfação aparece de forma semelhante entre eleitores bolsonaristas e petistas. Entre os que se identificam com o bolsonarismo, 15% avaliam positivamente o Congresso, 43% classificam a atuação como regular e 37% como ruim ou péssima.

Entre os simpatizantes do PT, os índices são próximos: 17% consideram o desempenho bom ou ótimo, 40% regular e 37% ruim ou péssimo.

A pesquisa também indica diferenças conforme renda, escolaridade e ocupação. A avaliação negativa chega a 47% entre servidores públicos e a 43% entre pessoas com mais de 60 anos. Entre mulheres, o índice é de 34%, enquanto entre evangélicos atinge 31%.

Já a avaliação positiva alcança 21% entre empresários e pessoas com ensino fundamental completo.

Crise do Banco Master
O desgaste do Congresso ganhou novos contornos com o avanço das investigações e das denúncias relacionadas ao Banco Master.

O senador Flávio Bolsonaro admitiu ter mantido contato com Daniel Vorcaro ao longo de 2025 para discutir o financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Já o senador Ciro Nogueira é suspeito de receber R$ 300 mil mensais do banco para defender interesses da instituição financeira. Ele nega as acusações.

Mesmo diante da repercussão do caso, Davi Alcolumbre articulou o arquivamento da proposta de criação de uma CPI para investigar o Banco Master. Segundo relatos políticos, o movimento teria ocorrido em acordo com setores da oposição em troca da votação sobre a derrubada do veto presidencial ligado à redução de penas para condenados por atos golpistas.

Apesar disso, parlamentares governistas e bolsonaristas seguem defendendo a instalação da comissão nas redes sociais.

Avaliação de Lula
O levantamento do Datafolha também mediu a avaliação do governo federal.

Aos três anos e quatro meses de mandato, 39% dos entrevistados consideram a gestão Lula ruim ou péssima. Outros 30% classificam o governo como bom ou ótimo, enquanto 29% avaliam a administração como regular.

Os números reforçam o cenário de polarização política e mostram um ambiente de tensão persistente entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional em meio às disputas institucionais e crises recentes em Brasília.