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Pesquisa mostra que 74% dos brasileiros planejam gastar durante o torneio

Setor de comidas e bebidas lidera intenções de consumo; 14% aceitariam contrair novas dívidas durante o Mundial da Fifa

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reprodução

A Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, deve movimentar o mercado brasileiro, com 74% dos consumidores planejando gastos relacionados ao torneio.

Segundo o estudo “Placar das Finanças”, realizado pela Creditas em parceria com a Opinion Box, a maior parte desse público (73%) pretende gastar acima de R$ 100. Uma parcela de 43% dos entrevistados afirmou que deve desembolsar mais de R$ 200 durante o período da competição da Fifa.

As categorias de consumo são lideradas por comidas e bebidas, citadas por 51% dos brasileiros. No segmento de licenciamento e varejo, 23% pretendem adquirir produtos esportivos oficiais e 9% produtos não esportivos oficiais.

Outras áreas de interesse incluem festas e eventos privados (20%), assinaturas de streaming (19%) e gastos com viagens ou deslocamentos (11%) .

Comportamento
O levantamento indica que o comportamento de compra será fortemente influenciado pelo desempenho da seleção brasileira. Cerca de 47% dos consumidores afirmaram que podem aumentar seus gastos a cada vez que o Brasil avançar de fase no torneio.

Além disso, 80% admitiram que podem realizar gastos sem planejamento prévio para acompanhar a equipe nacional.

A socialização aparece como um motor de negócios, com 49% concordando que assistir aos jogos com amigos e familiares justifica gastar além do previsto.

Dívida
A disposição para o consumo ocorre em um cenário em que 26% dos entrevistados já chegam ao período da Copa do Mundo endividados. O estudo aponta que 14% dos brasileiros aceitariam contrair novas dívidas apenas para viver a experiência com o Mundial.

“A Copa cria um ambiente de forte mobilização emocional e social, o que naturalmente flexibiliza decisões financeiras que normalmente seriam mais racionais”, analisou Guilherme Casagrande, educador financeiro da Creditas.

“O problema é quando essa combinação de impulso, consumo e falta de planejamento começa a pressionar ainda mais um orçamento que já está fragilizado”, acrescentou.

Quando o assunto é a conquista do título, o índice de tolerância ao risco financeiro aumenta: 20% da população afirmou que ficaria endividada para ver o Brasil ser campeão. Esse número sobe para 30% entre jovens de 18 a 24 anos e para 37% entre aqueles que já possuem dívidas ativas.

Apostas
O mercado de apostas esportivas e bolões está integrado à rotina de 56% dos brasileiros para a Copa do Mundo de 2026. A adesão é mais acentuada entre o público de 18 a 24 anos, no qual 70% pretendem apostar.

“Quando o entretenimento passa a ser acompanhado por um comportamento de risco, surge um ponto de atenção importante”, apontou Casagrande.

“Os dados mostram que as apostas já fazem parte do cotidiano de consumo, o que reforça a necessidade de ampliar o debate sobre educação financeira, especialmente em contextos de maior exposição ao consumo e ao risco”, explicou.

Embora a diversão seja a principal motivação para 54% dos potenciais apostadores, o estudo revela que as apostas são vistas como estratégia financeira por uma parcela relevante.

Aproximadamente um em cada três brasileiros concorda que apostar nos jogos da Copa do Mundo é uma forma rápida de aumentar o orçamento.

Entre as motivações financeiras diretas, 31% buscam cobrir gastos do mês e 15% visam a utilizar possíveis ganhos para pagar dívidas. O perfil endividado apresenta uma probabilidade 1,6 vez maior de apostar em comparação aos não endividados.

No imaginário popular, 39% dos brasileiros consideram mais provável o Brasil conquistar o hexacampeonato do que eles conseguirem fechar o ano de 2026 sem dívidas.

No outro extremo, 41% acreditam que é mais fácil organizar as contas do que a seleção brasileira vencer a competição.