O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, endureceu o discurso contra integrantes do governo estadual ao comentar a ação judicial apresentada pela Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor e pelo Procon-RJ para impedir o fim do pagamento em dinheiro nos ônibus municipais da capital.
Durante coletiva nesta segunda-feira (25/05), Cavaliere afirmou que a prefeitura vai manter o cronograma de implantação do sistema de bilhetagem digital Jaé e extinguir o uso de dinheiro em espécie nos coletivos a partir do próximo sábado.
Ao comentar a atuação de setores do governo estadual, o prefeito fez críticas contundentes e afirmou que investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público apontam favorecimento de interesses privados dentro da estrutura estadual.
“O que apontam as investigações é que parte desse governo estadual foi tomada por um comportamento de máfia, privilegiando interesses privados”, declarou. Em seguida, reforçou que a decisão da prefeitura será mantida: “Quem tem plano, segue o plano”.
As declarações ocorreram após os órgãos estaduais ingressarem na Justiça contra o município e a empresa CBD Bilhete Digital S.A., responsável pela operação do cartão Jaé. Na ação, a Sedecon e o Procon-RJ alegam que o fim do pagamento em dinheiro pode prejudicar idosos, turistas, trabalhadores informais e pessoas em situação de vulnerabilidade social ou sem acesso à internet.
Cavaliere, no entanto, classificou os questionamentos como politizados e voltou a atacar os órgãos estaduais.
“A gente viu manifestações da Assembleia Legislativa e de um órgão que não vou chamar de Defesa do Consumidor, porque praticam outra coisa”, afirmou.
A prefeitura sustenta que a retirada do dinheiro em espécie dos ônibus tem como objetivo reduzir assaltos, aumentar a segurança de passageiros e motoristas e agilizar o embarque nos coletivos. O novo modelo será centralizado no sistema digital do cartão Jaé.
O prefeito também comentou o cenário político estadual após a saída de Cláudio Castro do governo para disputar o Senado e a posse interina do desembargador Ricardo Couto no comando do Executivo estadual.
Segundo Cavaliere, o estado atravessa um processo de “reinstitucionalização” após investigações envolvendo diferentes setores da administração pública.
Na ação judicial, Procon-RJ e Sedecon pedem a manutenção do pagamento em dinheiro nos ônibus, a suspensão da exclusividade do cartão Jaé nas integrações tarifárias e a criação de um plano de contingência para adaptação dos passageiros às novas regras.
Os órgãos também solicitam prazo mínimo de 30 dias entre a comunicação oficial das mudanças e a implementação definitiva do sistema. A prefeitura, porém, sinalizou que não pretende alterar o calendário previsto.










