O desdobramento da “Operação Compliance Zero”, realizada na última terça-feira (26), revelou que a cobertura de luxo onde oex-Govenador Cláudio Castro reside há poucas semanas pertence a uma empresa controlada por Mauro Farias, advogado e ex-secretário de Transformação Digital do governo Castro.
Mauro Farias é irmão de Rafael Thompson de Farias, ex-titular da Secretaria de Governo e atual presidente da Rioluz. Os laços políticos e empresariais em torno do imóvel acenderam o alerta das Polícia Federal que coordenam a operação.
De acordo com registros, o advogado Mauro Farias abriu o CNPJ da empresa J3 Real Estate Participações em abril de 2023. Menos de dois meses após a criação da firma, em 16 de junho do mesmo ano, a empresa adquiriu o imóvel por R$ 3,5 milhões. A escritura foi registrada apenas duas semanas após o pagamento dos impostos de transferência de titularidade.
Além de Mauro Farias, a J3 Real Estate tem como sócio o também advogado Ronaldo Tormenta Pereira. Ele é apontado como uma figura próxima a Rafael Thompson, que por sua vez atuou como braço-direito do ex-deputado Rodrigo Bacellar.
A defesa do ex-governador minimizou as suspeitas. O advogado Carlo Luchione, responsável pela defesa de Cláudio Castro, afirmou não saber detalhes sobre a propriedade do novo lar do político. “Desconheço quem seja o dono, sei apenas que é alugado, que o outro também era e já teve o contrato rescindido. Desconheço maiores detalhes sobre esse ponto”, declarou.
Localizada no condomínio Península, na Zona Sudoeste do Rio, a cobertura de Castro possui mais de 300 metros quadrados, piscina e área de lazer privativa. No mercado imobiliário local, o aluguel de imóveis com esse perfil varia entre R$ 12 mil e R$ 30 mil mensais, com taxas de condomínio que oscilam de R$ 3,2 mil a R$ 6,2 mil.
A ligação de Mauro Farias com a gestão de Castro também chama a atenção pelos valores movimentados em sua época de governo.
Durante o período em que esteve à frente da recém-criada pasta de Transformação Digital, a secretaria recebeu um orçamento robusto, com mais de R$ 1 bilhão destinado a programas internos. O advogado deixou o cargo, a pedido, em dezembro de 2024. A PF segue investigando os contratos e a evolução patrimonial dos envolvidos.










