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Filha de ex-namorada de Jairinho relata agressões em julgamento: “Se eu não existisse, seria muito melhor”

Na época do relacionamento, Kaylane de Oliveira Duarte Pereira, filha de ex-namorada de Jairinho, tinha entre 3 e 6 anos

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reprodução

O quarto dia do julgamento do caso Henry Borel, realizado nesta quinta-feira (28), começou com o depoimento de Kaylane de Oliveira Duarte Pereira, de 18 anos. Ela é filha de Natasha de Oliveira Machado, ex-namorada de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, entre os anos de 2010 e 2013. Na época do relacionamento, Kaylane tinha entre 3 e 6 anos.

Durante a audiência no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio, a jovem reafirmou acusações feitas anteriormente contra o ex-vereador. Kaylane contou que sofreu agressões físicas e psicológicas e disse que, quando criança, sentia medo de relatar os episódios. Ela também revelou que chegou a se sentir culpada pela morte de Henry Borel.

Segundo a testemunha, Jairinho dizia que sua presença atrapalhava a vida da mãe. “Ele dizia que, se eu não existisse, ia ser muito melhor. Que eu atrapalhava ela, que se fosse só ele e a minha mãe, a vida dela ia ser muito melhor”, afirmou.

Kaylane também descreveu situações de violência que teria sofrido durante passeios com o ex-vereador. “A gente ia para esses lugares, ele me dava socos na cabeça, apertava meu braço muito forte. Teve uma vez em que a gente foi para um quarto com piscina e ele ficava me afundando, até eu bater no chão da piscina”, relatou.

Em outro trecho do depoimento, ela contou que Jairinho teria orientado que escondesse as agressões. “Em uma das situações, ele torceu meu braço e disse que era para eu contar que tinha machucado no jiu-jítsu. Ele dizia para eu não contar para a minha mãe”, lembrou.

A jovem ainda narrou como revelou os episódios de violência à família, anos depois do término do relacionamento entre a mãe e Jairinho. “Eu vi uma criança que apanhava dos pais e comecei a chorar muito. A minha avó perguntou o que foi e eu comecei a dizer que ele me batia muito. Minha mãe foi me ver no dia seguinte e aí eu contei para ela”, disse.

Jairinho e Monique Medeiros respondem por homicídio qualificado, tortura e outros crimes relacionados à morte de Henry Borel, ocorrida em março de 2021. A previsão é de que as oitivas continuem pelos próximos dias. Paralelamente, o processo em que Kaylane acusa Jairinho de agressões tramita na 35ª Vara Criminal da Capital.