A decisão dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas colocou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante de um desafio político e diplomático. O Planalto tenta equilibrar a defesa da cooperação internacional contra o crime organizado sem transmitir qualquer sinal de apoio às facções criminosas.
Nos bastidores, integrantes do governo afirmam que o anúncio americano pegou o Planalto de surpresa. A diplomacia brasileira vinha defendendo o fortalecimento da cooperação policial e de inteligência com Washington, mas sem a adoção da classificação de terrorismo.
A primeira reação pública partiu do assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim. Ele afirmou que a cooperação internacional é bem-vinda, mas ressaltou que qualquer possibilidade de intervenção estrangeira seria inaceitável.
A principal preocupação do governo está relacionada às consequências jurídicas, diplomáticas e institucionais da medida, especialmente em temas ligados a sanções financeiras, cooperação internacional e eventuais ações unilaterais dos Estados Unidos.
A defesa da soberania nacional deve permanecer no centro do discurso do governo Lula, que nos últimos meses passou a adotar um tom mais duro no combate ao crime organizado.
O episódio ganhou contornos políticos após a viagem do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, onde se reuniu com o presidente Donald Trump, o vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio. A proximidade entre a visita e a decisão americana levou aliados do governo a intensificarem críticas ao parlamentar.
No Planalto, a avaliação é que o tema poderá ser explorado politicamente na corrida presidencial de 2026, ampliando o embate entre o campo governista e setores ligados ao bolsonarismo em temas como soberania, segurança pública e política externa.










