Mesmo após intensas reclamações de moradores, empresários e representantes do turismo de Ilha Grande, a Prefeitura de Angra dos Reis confirmou o início da cobrança da Taxa de Turismo Sustentável para a próxima segunda-feira. A medida segue provocando forte reação entre os meios de hospedagem locais, representados pela Associação dos Meios de Hospedagem da Ilha Grande (AMHIG). A entidade, que reúne pousadas, hostels, casas de temporada e empreendedores, afirma que a cobrança foi implantada sem o diálogo suficiente com o setor e pode trazer impactos severos para a economia da região, altamente dependente da atividade turística.
A implantação da taxa ocorrerá de forma gradual, dividida em três fases distintas. Em 2026, a cobrança terá um desconto de 50%, iniciando-se pelos cais de Santa Luzia, Vila do Abraão, Japariz e Araçatiba. Em 2027, o abatimento será reduzido para 25% e, a partir de 2028, passará a valer o valor integral da tarifa. Os valores finais serão definidos de acordo com o destino e o tempo de permanência do visitante. Neste primeiro ano, para estadias de até sete dias, a taxa será de 10 UFIRs (equivalente a R$ 47,50). Cada diária adicional terá o custo extra de meia UFIR, cerca de R$ 2,37 por dia.
Segundo a Prefeitura de Angra, estão dispensados do pagamento os moradores da Ilha Grande, familiares de até segundo grau, profissionais credenciados na TurisAngra, prestadores de serviço, crianças de até 12 anos e idosos com mais de 60 anos. Contudo, as isenções não anularam a polêmica, que aumentou após uma fiscalização realizada pelo Procon-RJ na Vila do Abraão neste mês. Durante a ação, o órgão levantou questionamentos sobre a empresa responsável pela operação da taxa, que poderá ficar com 12% de toda a arrecadação obtida. O Procon também apontou possíveis problemas relacionados à transparência das informações, à proteção de dados dos turistas e até suspeitas envolvendo operações irregulares de câmbio para estrangeiros.
Para a AMHIG, a medida pode afastar visitantes e comprometer diretamente a cadeia econômica da ilha, atingindo pousadas, restaurantes, bares, passeios e trabalhadores. “A Ilha Grande vive do turismo e qualquer cobrança implantada sem planejamento e diálogo pode gerar consequências graves para toda a economia local”, destacou a associação em nota. A entidade reforça que o local é reconhecido internacionalmente como patrimônio natural e que decisões desse porte precisam ser amplamente debatidas com a população e o setor produtivo. “Somos favoráveis à preservação ambiental, mas defendemos que qualquer medida seja construída em conjunto com quem vive e trabalha na ilha”, completou a AMHIG. Apesar dos protestos, o cronograma está mantido.










