Dois pacientes com suspeita de ebola seguem monitorados em isolamento hospitalar de alta segurança em São Paulo e no Rio de Janeiro, após as autoridades sanitárias ativarem os planos de contingência nacionais. Embora exames preliminares divulgados neste sábado, 30 de maio de 2026, tenham apontado diagnósticos de meningite meningocócica e malária, o Ministério da Saúde e as secretarias locais mantêm o alerta máximo. A desinfecção completa e o descarte oficial do vírus dependem de exames específicos que devem ficar prontos na próxima segunda-feira, 1º de junho.
Ambos os casos envolvem homens que estiveram recentemente na República Democrática do Congo e em Uganda. Atualmente, estas são as únicas nações do mundo que enfrentam um surto ativo da doença, provocado pela cepa epidemiológica Bundibugyo.
Estado grave e intubação na capital paulista
O caso acompanhado em São Paulo é de um imigrante de 37 anos vindo da República Democrática do Congo. Ele buscou atendimento inicial em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com quadro de febre alta. Diante da deterioração imediata de suas funções clínicas, o homem foi transferido às pressas para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, referência estadual em doenças infectocontagiosas.
O paciente encontra-se intubado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ele apresenta sintomas agudos como desorientação psíquica, diarreia persistente e instabilidade hemodinâmica severa.
Análises laboratoriais do Instituto Adolfo Lutz confirmaram que o paciente contraiu a bactéria Neisseria meningitidis, causadora da meningite meningocócica. Devido à sedação profunda, o itinerário exato do viajante pelas províncias africanas afetadas ainda não pôde ser traçado detalhadamente pelas equipes de vigilância.
Isolamento preventivo em centro da Fiocruz no Rio
No Rio de Janeiro, o paciente monitorado é um cidadão de nacionalidade belga que desembarcou recentemente no Brasil após passar por Uganda. Ele manifestou sintomas virais clássicos, incluindo tosse, calafrios e crises diarreicas. O viajante testou positivo para malária em triagem padrão.
Seguindo à risca as regras de biossegurança estipuladas, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) providenciou a remoção do homem para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz). Ele permanecerá em uma ala de confinamento especial até que os testes moleculares descartem por completo a coinfecção pelo ebola.
Entenda o protocolo e as formas de transmissão
O vírus ebola possui características de contágio muito específicas, o que influencia diretamente as medidas de contenção. A transmissão da doença ocorre exclusivamente por meio do contato direto com sangue, fluidos corporais, secreções ou tecidos biológicos de pessoas infectadas. Isso significa que o risco de disseminação por via aérea é nulo, já que o vírus não se espalha pelo ar.
Além disso, a janela de transmissão é restrita: o paciente só transmite a infecção durante a fase aguda da doença, quando os sintomas severos estão visíveis. Pessoas assintomáticas não transmitem o vírus.
Diante dessas características, as agências de saúde classificam o risco de introdução e espalhamento do ebola no Brasil como muito baixo. Essa avaliação também leva em conta o fator geográfico, já que não existem voos diretos ligando as áreas afetadas pelo surto no continente africano ao território brasileiro.
Apesar do risco considerado diminuto de uma disseminação local, a Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD) readequou as notas técnicas oficiais enviadas a hospitais públicos e privados. A ordem é manter o isolamento imediato de qualquer paciente que apresente picos febris e possua histórico de deslocamento para a África Central nos últimos 21 dias.










