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Com drones e reforço policial, TrensRJ assume ferrovia e revela diagnóstico crítico da rede

A TrensRJ, controlada pelo consórcio Nova Via Mobilidade, venceu a licitação em fevereiro e substitui a SuperVia, que encerrou suas atividades após 27 anos de concessão.

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Reprodução

A concessionária TrensRJ iniciou neste sábado (30) a operação dos trens da Região Metropolitana do Rio de Janeiro sob um cenário de extrema vulnerabilidade técnica e de segurança. Um diagnóstico inédito da nova operadora revelou que o sistema de sinalização não funciona de forma automatizada em nenhum dos cinco ramais e extensões, operando parcialmente via rádio entre maquinistas e o centro de controle. Além disso, 14 estações estão sob influência direta do crime organizado e a frota passava por lavagem apenas a cada 42 dias.

Para o primeiro dia útil de funcionamento, nesta segunda-feira (1º), a empresa ativará o monitoramento por drones com câmeras em 97 pontos sensíveis da malha para tentar conter crimes e atrasos. A TrensRJ, controlada pelo consórcio Nova Via Mobilidade, venceu a licitação em fevereiro e substitui a SuperVia, que encerrou suas atividades após 27 anos de concessão.

Monitoramento aéreo e cerco a ferros-velhos

O plano de contingência foca na proteção da infraestrutura física da rede, frequentemente alvo de vandalismo. A vigilância aérea com drones prioriza subestações de energia, pátios de manobra e trechos de rede aérea. No primeiro dia de testes, na madrugada de sábado, o sistema flagrou quatro suspeitos entre as estações Maracanã, São Cristóvão e Praça da Bandeira, que fugiram antes da chegada da Polícia Militar.

Nos últimos 40 dias da gestão anterior, 190 viagens atrasaram ou foram canceladas devido a 79 ocorrências de segurança pública.

O relatório mapeou 178 ferros-velhos em um raio de até dois quilômetros da linha férrea, suspeitos de receptar materiais roubados. Os dados foram entregues à Polícia Civil.

O roubo de peças ferroviárias já causou acidentes graves na Baixada Fluminense e na Zona Norte. Em outubro de 2025, o furto de grampos de fixação provocou o descarrilamento de um trem em Madureira, no ramal Belford Roxo. À época, parte das peças foi encontrada à venda em uma loja de artigos religiosos.

Operação de segunda-feira e tarifas

Para o início da semana, a concessionária programou mais de 700 viagens utilizando 142 trens. O número é inferior à capacidade histórica da malha, que já contou com 201 composições em atividade, reflexo do sucateamento e da necessidade de manutenção de parte da frota atual. A nova administração também reformulou o cronograma de higiene e utilizou novos produtos para reduzir o intervalo de limpeza dos vagões.

Apesar da troca de comando, os valores das passagens não sofrerão reajustes imediatos. O bilhete regular permanece em R$ 7,60, enquanto os passageiros cadastrados no benefício da Tarifa Social pagam R$ 5,00. Em contrapartida, o governo estadual reforçou o contingente do Grupamento de Policiamento Ferroviário (GPFer) com policiais de outros batalhões para patrulhar plataformas e trens.

Contrato impõe blindagem financeira contra calotes

Homologado na 6ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o contrato de prestação de serviços tem validade de cinco anos, renováveis por mais cinco, cobrindo 270 quilômetros de trilhos e 104 estações. O modelo de remuneração estipula o pagamento de R$ 17,60 por quilômetro percorrido.

Mensalmente, o Estado complementará a receita das bilheterias com um subsídio estimado em R$ 22 milhões. O contrato prevê um aporte total de R$ 652 milhões para manutenção e custeio. Para evitar atrasos nos repasses governamentais, uma cláusula de blindagem permite que eventuais calotes do Estado sejam descontados diretamente de uma conta pública caução, com aplicação de multa multiplicada por seis sobre o valor devido.