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PM afasta agente após motociclista ser morto a tiros em São Gonçalo

Este é o terceiro caso em menos de uma semana em que policiais militares são investigados por mortes de civis durante ações de patrulhamento ou operações no estado.

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A Região Metropolitana do Rio de Janeiro registrou mais um episódio de violência envolvendo a atuação de forças de segurança. Carlos Eduardo Souza Ornela morreu após ser baleado por um policial militar na Rua Monsenhor Benedito Marinho, no bairro do Pacheco, em São Gonçalo, neste domingo. Uma mulher que viajava na garupa da motocicleta também foi atingida pelos disparos.

Este é o terceiro caso em menos de uma semana em que policiais militares são investigados por mortes de civis durante ações de patrulhamento ou operações no estado.

De acordo com os relatos iniciais, uma equipe do Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidão (Recom) realizava um patrulhamento na via quando deu ordem de parada ao motociclista. A polícia alega que a determinação não foi obedecida. Na sequência, um dos agentes efetuou os disparos contra o veículo.

Carlos Eduardo morreu ainda no local antes de receber atendimento emergencial. A passageira, cuja identidade não foi divulgada, foi socorrida e encaminhada ao Hospital Estadual Alberto Torres (Heat). Até o momento, a direção da unidade de saúde não divulgou atualizações sobre o estado clínico da paciente.

A morte do motociclista provocou imediata indignação na comunidade local. Grupos de moradores iniciaram manifestações nas ruas Marechal Póvoas e São Pedro, também no Pacheco.

Os manifestantes atearam fogo em barricadas de lixo e sequestraram ônibus do transporte público para bloquear as principais vias de acesso ao bairro. Equipes do próprio Recom precisaram atuar na região para conter os distúrbios e liberar as vias bloqueadas.

Diante da gravidade do fato, o comando da Polícia Militar determinou o afastamento imediato das ruas do agente responsável pelo tiro. A Corregedoria Geral da corporação já instaurou um procedimento apuratório por meio da 4ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM).

A investigação criminal sobre as circunstâncias da morte e as lesões corporais na passageira está sob a responsabilidade da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI). A Polícia Civil informou que diligências de campo e oitivas estão em andamento.

Histórico recente de letalidade

O crime deste domingo amplia a crise de segurança e os questionamentos sobre os protocolos de abordagem da Polícia Militar do Rio de Janeiro nos últimos cinco dias:

  • Caso Jardim Catarina (27 de maio): Os pedreiros Edvan Felipe de Assis e Marcelo da Cruz Silva foram mortos durante uma operação do 7º BPM (Alcântara), em São Gonçalo. Três PMs admitiram em depoimento que atiraram nos trabalhadores após confundirem uma ferramenta com um fuzil. Os policiais foram afastados e as imagens das câmeras corporais foram enviadas à Polícia Civil.
  • Caso Vila Joaniza (26 de maio): Os entregadores Erik Felix Chagas e Lucas Rodrigues Rocha morreram baleados na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio. A PM alegou que agentes do 17º BPM revidaram a um ataque a tiros. Familiares contestam a versão e afirmam que Lucas estava no local apenas realizando uma entrega de mercadorias.