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Lula critica proposta de novas tarifas dos EUA e diz que enviará nova carta a Trump

Durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, Lula declarou que o Brasil pretende manter uma relação próxima com os Estados Unidos, mas não pode aceitar o tratamento dado recentemente ao país nas negociações comerciais

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Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (03) que o governo brasileiro não recebeu qualquer comunicação oficial dos Estados Unidos sobre a proposta de aumento de tarifas sobre produtos nacionais. Segundo ele, a decisão causou surpresa e motivará o envio de uma nova carta ao presidente norte-americano, Donald Trump.

Durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, Lula declarou que o Brasil pretende manter uma relação próxima com os Estados Unidos, mas não pode aceitar o tratamento dado recentemente ao país nas negociações comerciais.

O presidente relembrou um encontro com Trump, no qual ambos teriam concordado em conceder um prazo de 30 dias para que representantes dos dois governos buscassem entendimento sobre divergências comerciais. De acordo com Lula, esse período ainda não foi concluído.

“Fomos surpreendidos por mais um anúncio de taxação contra o Brasil antes mesmo do fim das negociações”, afirmou.

Na mesma reunião, Lula voltou a criticar o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e destacou que entregou pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos documentos considerados estratégicos para o relacionamento bilateral. Os materiais abordavam temas como combate ao crime organizado, exploração de terras raras e a situação geopolítica envolvendo o Irã.

Segundo o presidente brasileiro, a expectativa após o encontro era de fortalecimento do diálogo entre os dois países. “Saí convencido de que estávamos construindo uma nova lógica de relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos”, disse.

A reação de Lula ocorre após a divulgação de dois relatórios do governo norte-americano. O primeiro acusa o Brasil de adotar práticas que dificultariam o comércio com os Estados Unidos e propõe uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O segundo documento, divulgado na terça-feira (2), aponta falhas de fiscalização relacionadas à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado em cerca de 60 países, incluindo o Brasil, e sugere uma taxa adicional de 12,5%.

Caso as duas medidas sejam implementadas conjuntamente, a sobretaxa sobre produtos brasileiros poderá alcançar 37,5%, percentual próximo aos cerca de 40% aplicados pelos Estados Unidos em medidas semelhantes no ano passado.