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Trump ataca republicanos após Câmara aprovar limite a seus poderes de guerra

Presidente afirma que resolução ameaça acordo de paz com o Irã e chama parlamentares governistas de “incompetentes e exibicionistas”.

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reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou duramente os parlamentares republicanos que se aliaram à oposição democrata para aprovar uma resolução que restringe seus poderes de guerra. A medida foi votada pela Câmara dos Representantes nesta quarta-feira (3).

Em uma publicação em sua rede social, a Truth Social, na manhã desta quinta-feira (4), Trump classificou a votação como “sem sentido”. Ele alertou que, caso o texto também passe pelo Senado, a resolução poderá comprometer as negociações finais de um acordo de paz com o Irã. “Quem faria uma coisa tão antipatriótica?”, questionou o presidente.

Ataque aos dissidentes e foco no acordo com o Irã

Na publicação, Trump direcionou sua frustração tanto aos adversários políticos quanto aos membros de seu próprio partido que votaram a favor da restrição.

“Ontem, em uma votação sem sentido, a Câmara votou, com quatro republicanos incompetentes e todos os democratas, para limitar meus poderes de guerra, bem no meio das minhas negociações finais para encerrar a guerra com a República Islâmica do Irã. Quem faria uma coisa tão antipatriótica? Eles sabem em que pé estão as negociações”, escreveu o mandatário.

O presidente acusou os democratas de serem movidos por uma “Síndrome de Transtorno Obsessivo por Trump”, alegando que a oposição prefere o fracasso do país a conceder-lhe uma vitória política. Sobre os quatro correligionários dissidentes, Trump subiu o tom: “Essa é outra história completamente diferente – eles são exibicionistas! Deveriam ter vergonha de si mesmos”.

Manobra regimental acelera tramitação

A resolução foi aprovada na Câmara por um placar apertado de 215 votos a 208. O objetivo central do Congresso é impedir que o Executivo realize novos ataques ou conduza operações militares contra o Irã sem a devida autorização formal dos parlamentares.

Para acelerar o processo, a liderança democrata utilizou uma manobra regimental que obriga o Senado a analisar o texto em um prazo máximo de duas semanas e meia. O movimento contorna o travamento de uma proposta semelhante aprovada pelos senadores no mês passado, que acabou estagnada antes de chegar à votação final.

Como a medida tramita sob um formato de resolução parlamentar, ela não depende da sanção ou do veto de Trump para entrar em vigor, caso seja aprovada pelas duas Casas legislativas.

Desafios no Senado e pressão eleitoral

Apesar do avanço na Câmara, o texto enfrenta um cenário complexo no Senado, onde o Partido Republicano detém a maioria das cadeiras. Para que a restrição seja aprovada em definitivo, os democratas precisarão repetir a estratégia e atrair o voto de uma ala de senadores governistas insatisfeitos.

A dissidência interna reflete uma preocupação crescente no Capitólio com os rumos do conflito no Oriente Médio. A guerra tem registrado altos índices de rejeição popular nos EUA e gerado impactos econômicos diretos, como a alta no preço dos combustíveis. Com as eleições legislativas de novembro se aproximando — quando todas as cadeiras da Câmara e parte do Senado serão renovadas —, parlamentares temem o desgaste eleitoral provocado pela continuidade das hostilidades.

Caso o Congresso consiga aprovar a resolução, a Casa Branca já sinalizou que pretende transferir a disputa para o campo jurídico. O governo norte-americano argumenta que qualquer tentativa do Legislativo de limitar o poder do presidente para conduzir ações militares viola a Constituição dos Estados Unidos.