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STF encerra disputa e mantém fim da revisão da vida toda para aposentados do INSS

Supremo rejeita último recurso de entidades de segurados

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reprodução

O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou definitivamente a discussão sobre a chamada revisão da vida toda ao rejeitar, por 7 votos a 3, o último recurso apresentado por entidades representativas de aposentados. A decisão consolida o entendimento da Corte de que segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) não podem incluir contribuições realizadas antes de julho de 1994 no cálculo de suas aposentadorias.

O julgamento foi concluído na última sexta-feira e representa mais um capítulo de uma disputa judicial que se arrasta há anos e mobilizou milhares de aposentados em todo o país. Com o resultado, fica mantida a decisão que derrubou a tese da revisão da vida toda, considerada por muitos beneficiários uma oportunidade de aumentar o valor mensal recebido da Previdência Social.

A maioria dos ministros acompanhou o voto do relator, ministro Nunes Marques, que rejeitou os pedidos apresentados pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM). Também votaram nesse sentido os ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Luiz Fux.

Entendimento já consolidado
Ao apresentar seu voto, Nunes Marques destacou que a questão já havia sido amplamente examinada pelo Supremo em julgamentos anteriores. O ministro lembrou ainda que a Corte rejeitou pedido semelhante em maio deste ano, reforçando que não havia novos elementos capazes de justificar uma reavaliação do tema.

A posição vencedora considerou que o entendimento do tribunal sobre a matéria já estava consolidado, afastando a possibilidade de reabertura da discussão jurídica.

A decisão encerra uma das teses previdenciárias mais debatidas das últimas décadas e põe fim às tentativas de reverter o julgamento realizado pelo próprio STF em 2024, quando a Corte mudou sua orientação sobre o assunto.

A divergência foi aberta pelo ministro Dias Toffoli, que apresentou uma alternativa para preservar situações específicas de aposentados que recorreram ao Judiciário antes da mudança de entendimento promovida pelo Supremo.

Segundo a proposta, deveriam ser mantidos os efeitos da revisão para segurados que ingressaram com ações judiciais entre dezembro de 2019 e abril de 2024. O período corresponde ao intervalo entre a consolidação da tese favorável no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e sua posterior derrubada pelo STF.

A sugestão buscava proteger beneficiários que recorreram à Justiça confiando na interpretação então vigente nos tribunais superiores.

Toffoli foi acompanhado pelo presidente do STF, Edson Fachin, e pelo ministro André Mendonça. Apesar disso, os três votos não foram suficientes para alterar o resultado final do julgamento.

O que previa a revisão da vida toda
A tese da revisão da vida toda ganhou força nos tribunais ao defender que aposentados poderiam incluir no cálculo de seus benefícios todas as contribuições realizadas ao longo da vida profissional, inclusive aquelas feitas antes da implantação do Plano Real, em julho de 1994.

Pelas regras aplicadas pelo INSS, os salários de contribuição anteriores a essa data eram desconsiderados em diversas situações.

Para parte dos segurados, especialmente aqueles que receberam salários mais elevados antes da estabilização da moeda brasileira, a inclusão desses valores poderia resultar em um aumento significativo na aposentadoria.

A discussão envolvia principalmente trabalhadores que tiveram rendimentos mais altos no início da carreira e passaram a contribuir sobre valores menores nos anos posteriores.

Impacto bilionário nas contas públicas
Ao longo da tramitação do processo, o INSS sustentou que uma eventual ampliação da revisão poderia produzir forte impacto financeiro sobre a Previdência Social.

Segundo os cálculos apresentados pelo instituto, a adoção da tese poderia gerar um custo de até R$ 480 bilhões para os cofres públicos.

O argumento foi frequentemente utilizado pela União durante a disputa judicial para defender a manutenção das regras atuais de cálculo dos benefícios previdenciários.

Com a rejeição do último recurso, o entendimento do Supremo passa a encerrar definitivamente a controvérsia, afastando a possibilidade de novos julgamentos sobre a revisão da vida toda na Corte.

A decisão representa o desfecho de uma das mais relevantes discussões previdenciárias dos últimos anos, envolvendo milhões de aposentados e pensionistas em todo o país.