O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu agenda oficial na capital fluminense nesta segunda-feira (22), ao lado do prefeito Eduardo Cavaliere. O encontro marcou o lançamento das obras do Novo PAC Periferia Viva no Rio de Janeiro. O principal destaque da agenda foi o início das intervenções de macrodrenagem no Jardim Maravilha, em Guaratiba, na Zona Oeste, local escolhido para a realização do evento.
O investimento total assinado pelas autoridades soma R$ 702,9 milhões para a transformação urbana e melhoria da qualidade de vida nas periferias cariocas. Do montante global, foram destinados R$ 340 milhões especificamente para as melhorias estruturais no Jardim Maravilha, uma região marcada por alagamentos constantes. De acordo com o prefeito Eduardo Cavaliere, os trabalhos começam imediatamente e têm prazo de conclusão estipulado em três anos.
Conduzido com recursos do Governo Federal, o projeto prevê a construção de um dique, reservatórios para retenção das águas da chuva e urbanização. A cerimônia contou com o governador em exercício, Ricardo Couto, o presidente da Caixa, Carlos Vieira, e os ministros Vladimir Lima e Miriam Belchior. A primeira-dama Janja também integrou a comitiva presidencial que acompanhou os anúncios de infraestrutura que devem mudar a realidade local.
O Novo PAC Periferia Viva contempla frentes de trabalho no Jardim Maravilha e em três das maiores comunidades cariocas: Maré, Alemão e Rocinha. Em Guaratiba, as intervenções de macrodrenagem e controle de cheias vão beneficiar diretamente cerca de 30 mil moradores que sofrem com enchentes. Cavaliere destacou o impacto social da obra para uma população que já havia perdido as esperanças devido ao antigo histórico de promessas falsas.
O prefeito lembrou que muitos diziam que o Jardim Maravilha não tinha solução técnica e celebrou o início das máquinas na pista. O projeto foi dividido em duas etapas. A fase um, já entregue pela prefeitura, garantiu quase 50 mil metros quadrados de pavimentação em 27 ruas. Também foram plantadas 150 árvores, construída uma área de lazer com parquinho e retiradas mais de 48 mil toneladas de resíduos da região.
A fase dois, iniciada hoje, projeta a construção de 8,8 quilômetros de drenagem, 19 de esgoto e 23 quilômetros de redes de água tratada. Estão previstos ainda 39 mil metros quadrados de calçadas, 373 jardins de chuvas e uma grande área inundável de 400 mil metros quadrados. O pacote fecha com 1,9 quilômetro de canais de ligação, consolidando um sistema robusto para o escoamento seguro das águas pluviais na Zona Oeste.
Além de Guaratiba, os acordos firmados hoje liberam os primeiros R$ 8,5 milhões para a fase inicial de obras no Complexo da Maré. O planejamento para a comunidade prevê alcançar R$ 170 milhões nas etapas seguintes, aplicados no Parque Linear e em um Ecoponto. O Parque Linear da Maré será erguido na Vila dos Pinheiros, revitalizando uma área que se encontrava degradada às margens da Baía de Guanabara.
No Complexo do Alemão, o investimento total chegará a R$ 210,5 milhões, unindo os repasses federais e a contrapartida da prefeitura do Rio. Os recursos serão convertidos em redes de esgoto, abastecimento de água, energia elétrica, iluminação pública, pavimentação e regularização fundiária. Paralelamente, a Rocinha receberá R$ 350 milhões para intervenções estruturais integradas, baseadas nas diretrizes consolidadas pelo Plano Diretor da comunidade.
Os trabalhos na Rocinha cobrirão cerca de 280 mil metros quadrados, focando em mobilidade, saneamento e meio ambiente para dez mil famílias. No encerramento do evento, o presidente Lula cobrou agilidade das empreiteiras e pediu que os moradores fiscalizem de perto o cronograma estabelecido. O presidente garantiu que voltará ao Rio em alguns meses para inspecionar os canteiros e olhar o andamento de cada projeto.
Lula reforçou que o saneamento e a drenagem são prioritários para que a comunidade não tema o tempo feio a cada novo trovão. “Saio daqui hoje muito satisfeito. É um sonho de vocês e é um sonho meu poder realizar”, concluiu o presidente da República. Com o início simultâneo das ações, os governos federal e municipal esperam reduzir drasticamente os gargalos históricos de infraestrutura e saúde nas áreas mais vulneráveis da cidade.










