Um conflito familiar e político exposto publicamente nesta semana ampliou as tensões dentro do campo bolsonarista. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro protagonizaram uma troca de declarações que evidenciou divergências sobre os rumos políticos do grupo liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
A crise veio à tona após Michelle divulgar um vídeo nas redes sociais relatando ter sido tratada com desrespeito pelo enteado durante uma conversa telefônica relacionada às articulações do PL no Ceará. A ex-primeira-dama afirmou ter recebido uma “punhalada” e criticou a defesa, por parte de Flávio e de aliados, de uma aproximação com o grupo político do ex-ministro Ciro Gomes. Segundo ela, a estratégia contraria os interesses do bolsonarismo e ignora embates anteriores envolvendo Jair Bolsonaro.
Nos bastidores, interlocutores apontam que o episódio reflete uma disputa crescente por influência dentro do PL e pelo protagonismo no futuro político da direita brasileira. Michelle, que preside o braço feminino do partido, ampliou sua força junto ao eleitorado conservador e evangélico, enquanto Flávio busca consolidar sua posição como principal herdeiro político do pai.
Após a repercussão das declarações, Flávio Bolsonaro divulgou uma nota pública negando ter humilhado ou desrespeitado Michelle. O senador afirmou que jamais teria a intenção de ofender a esposa de seu pai e destacou sua trajetória política para rebater as acusações. Ele também declarou que, se suas palavras foram interpretadas de forma equivocada ou causaram desconforto, pede desculpas.
Na manifestação, Flávio relatou ainda ter tentado uma reaproximação com Michelle por meio de um convite para participar de um encontro de lideranças femininas conservadoras. Segundo ele, a ex-primeira-dama não atendeu à ligação nem respondeu à mensagem enviada, o que classificou como mais um “gesto não correspondido”.
Apesar das divergências, o senador procurou minimizar o episódio, afirmando que as diferenças entre os integrantes do grupo bolsonarista dizem respeito apenas às estratégias políticas e não aos objetivos do movimento. Ele reforçou a necessidade de união entre os aliados e afirmou continuar seguindo orientações de Jair Bolsonaro nas decisões políticas.










