A Europa enfrenta a onda de calor mais intensa já registrada em sua história, acumulando mais de 1,2 mil mortes em menos de uma semana e afetando a infraestrutura vital do continente. Neste domingo (28), uma massa de ar quente extrema deve expor mais de 190 milhões de pessoas a temperaturas superiores a 35°C. Cientistas alertam que o fenômeno é agravado pelo aquecimento global e potencializado por um “bloqueio ômega”, padrão atmosférico que aprisiona o ar quente sobre a mesma região por vários dias.
O impacto na saúde pública gerou alertas vermelhos nas principais capitais. Na França, a agência de saúde pública confirmou cerca de mil mortes acima do esperado desde quarta-feira (24), concentradas em idosos com mais de 65 anos e com forte aumento de óbitos em domicílio na região de Paris. Na Espanha, o Ministério da Saúde associou outras 212 mortes ao calor extremo em um intervalo de apenas quatro dias.
A ministra da Saúde francesa, Stéphanie Rist, alertou que os hospitais continuam sob forte pressão. “O episódio ainda não acabou”, declarou à emissora BFM, reforçando ao jornal La Tribune que as complicações médicas decorrentes do calor extremo podem continuar aparecendo por até dez dias após o recuo dos termômetros.
Termômetros rompem marcas históricas
O fim de semana foi marcado pela quebra sucessiva de recordes absolutos de temperatura em vários países do continente:
- Alemanha: Registrou a maior temperatura de sua história com 41,5°C no sábado, superando o recorde do dia anterior, com risco de atingir 42°C neste domingo;
- República Tcheca: Marcou 40,8°C ao norte de Praga, com previsão de ultrapassar os 41°C nas próximas horas;
- Suíça: A cidade de Basileia atingiu 39°C, quebrando o recorde histórico para o mês de junho pelo terceiro dia consecutivo;
- Dinamarca: Chegou aos 37°C, a temperatura mais alta registrada no país desde o início das medições oficiais.
Devido às condições extremas, dezenas de festivais, eventos ao ar livre e manifestações políticas foram cancelados ou adiados de Berlim a Viena para evitar colapsos térmicos na população.
Infraestrutura, energia e ferrovias em xeque
Além da crise humanitária, o calor extremo começou a paralisar setores econômicos e de infraestrutura. Na Hungria, a usina nuclear de Paks precisou reduzir drasticamente a geração de eletricidade após as águas do rio Danúbio, utilizadas no resfriamento dos reatores, atingirem níveis críticos de aquecimento.
Na Alemanha, o calor causou rachaduras no asfalto de rodovias e gerou o risco de deformação de trilhos de trem. A principal operadora ferroviária alemã flexibilizou as regras de cancelamento e reembolso de passagens para desincentivar viagens não essenciais. Economistas alertam que a recorrência de eventos dessa magnitude projeta perdas financeiras severas de longo prazo para a agricultura, turismo e produtividade industrial europeia.










