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A um mês das convenções, presidenciáveis aceleram articulações para definir chapas e fechar alianças

Presidenciáveis negociam vice pensando em reduzir resistências do eleitorado e em tempo de TV

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Foto: Ricardo Stuckert

O relógio corre contra as equipes de pré-campanha na corrida presidencial. A menos de um mês para o início oficial das convenções partidárias — período entre 20 de julho e 5 de agosto em que as siglas precisam chancelar suas candidaturas —, a busca pelo “vice ideal” virou a prioridade absoluta dos articuladores políticos.

Segundo especialistas e coordenadores de campanha, a escolha do segundo nome da chapa obedece a dois critérios centrais: capacidade de “furar a bolha” (reduzindo a rejeição do cabeça de chapa em setores específicos do eleitorado) e a garantia de tempo de propaganda no rádio e na televisão por meio de coligações robustas.

“O vice é uma sinalização que o partido faz para uma parcela do eleitorado, para a opinião pública e para outros partidos”, explica o cientista político Carlos Ranulfo, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Lula aposta na estabilidade com Alckmin

Na centro-esquerda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) optou pelo pragmatismo e pela repetição da fórmula que o elegeu. O atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), está confirmado na chapa.

Apesar de pressões iniciais de setores do PT e do MDB, que defendiam um nome emedebista para atrair o eleitorado de centro-direita, a fidelidade e a discrição de Alckmin pesaram a favor do ex-tucano. Aliados destacam a atuação de Alckmin no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio como um trunfo técnico essencial diante de desafios do cenário econômico global.

Flávio Bolsonaro busca “antídoto” feminino e regional

No Partido Liberal (PL), a estratégia da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro é atrair o eleitorado feminino. A busca por uma mulher para a vice ganhou contornos de urgência após atritos públicos recentes envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

A ala pragmática do PL rejeita uma chapa “puro-sangue” (formada apenas por integrantes do próprio partido) e foca em nomes do Progressistas (PP) para ampliar a aliança:

  • Simone Marquetto (PP-SP): Deputada federal por São Paulo, traria o peso do maior colégio eleitoral do país e forte diálogo com o eleitorado católico.
  • Clarissa Tércio (PP-PE): Parlamentar evangélica e de Pernambuco, vista como uma ponte para crescer na região Nordeste.
  • Tereza Cristina (PP-MS): Senadora e ex-ministra da Agricultura, considerada o “nome impecável” por aliados devido à sua vasta experiência e trânsito no agronegócio.

Zema mira diversidade e Caiado busca tempo de TV

A terceira via e a centro-direita também movimentam os bastidores. O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) prometeu anunciar seu companheiro de chapa nos próximos dias. O nome mais cotado é o do empresário e palestrante Geraldo Rufino (Podemos). Homem negro e de trajetória popular, Rufino agregaria diversidade à chapa de Zema e garantiria ao partido Novo o tempo de televisão do Podemos, hoje inexistente para a sigla mineira.

Já o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) adota uma postura de maior cautela. A equipe de Caiado prioriza a construção de uma coligação com um partido de grande porte para viabilizar sua estrutura de campanha, mas as negociações devem se estender até o limite do prazo das convenções.

Correndo por fora, Renan Santos (Missão) ainda tateia o cenário político. Embora priorize uma solução interna dentro da própria sigla, interlocutores não descartam abrir conversas com outras legendas de menor expressão nas próximas semanas.