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Pastor Marcio Poncio é preso, e Adilsinho e Rodrigo Bacellar são alvos de operação da PF

Ação investiga um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas sobre operações contra o Comando Vermelho (CV)

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reprodução

O pastor e empresário Márcio Poncio foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (2), durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne. Detido em um apart-hotel no Rio, ele passou a ser investigado por suspeita de ligação com a chamada máfia do cigarro, grupo atribuído ao contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, também alvo da ofensiva e que já está preso. A ação mira ainda o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, igualmente encarcerado.

A nova etapa dá continuidade a uma investigação iniciada no fim de 2025 e que, ao longo dos últimos meses, passou a atingir políticos, integrantes do Judiciário e pessoas suspeitas de favorecer a facção criminosa com informações privilegiadas.

Entenda a ação
Na ação, policiais federais cumpriram três mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF em endereços vinculados aos investigados, nas cidades do Rio e São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Além disso, o STF determinou o sequestro de bens e valores de cerca de R$ 22 milhões.

Esta nova fase teve início após a apreensão de listas em poder de Adilsinho indicarem a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais. As listas chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Estado do Rio.

Segundo a Polícia Federal, Bacellar aparece identificado como Barba em duas planilhas de pagamento do bicheiro.

O inquérito apura uma rede responsável por repassar dados sigilosos de operações policiais, comprometendo ações de combate ao crime organizado no estado.

O pastor e empresário Márcio Poncio ganhou projeção nas redes sociais ao lado dos filhos Sarah Poncio, deputada estadual pelo Solidariedade, e do cantor Saulo Poncio.

Além da atuação religiosa, Márcio construiu carreira no ramo do tabaco, atividade que lhe rendeu o apelido de “pastor do cigarro”. A Polícia Federal investiga se ele tem relações com a máfia do cigarro, esquema liderado por Adilsinho.

O contraventor está preso desde fevereiro, quando acabou detido em Cabo Frio, na Região dos Lagos, durante uma ação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), com participação da Polícia Federal, da Polícia Civil e do Ministério Público Federal (MPF).

Apontado como integrante da cúpula do jogo do bicho no Rio, ele é considerado pelas autoridades o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados no estado. Contra ele havia pelo menos cinco mandados de prisão em aberto, e seu nome constava na lista dos criminosos mais procurados do país, elaborada pelo Ministério da Justiça.

Já Bacellar estava detido no Complexo de Gericinó, em Bangu 8. Ele foi levado à superintendência da PF na capital fluminense, na manhã desta quinta-feira (2) e será transferido para um presídio federal ainda hoje.

Ele teria vazado informações da Operação Zargun, realizada contra o Comando Vermelho, beneficiando o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias, apontado como articulador político da facção.

A Operação Unha e Carne foi deflagrada pela primeira vez em dezembro de 2025. Na ocasião, Rodrigo Bacellar, então presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), tornou-se o principal alvo da investigação.

Ainda em dezembro, uma segunda fase da operação levou à prisão preventiva do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). A suspeita é que as informações sigilosas tenham saído do Judiciário antes de chegarem a Bacellar e, posteriormente, aos investigados ligados ao Comando Vermelho.

Em março de 2026, a terceira fase da operação resultou em uma nova prisão de Rodrigo Bacellar, desta vez após a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a apresentação de denúncia pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Foi nesse momento que a Polícia Federal passou a vincular formalmente a investigação à ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, sustentando que o suposto esquema de vazamentos comprometia operações de segurança pública voltadas ao enfrentamento do crime organizado.

Nota das defesas dos citados

Nota de Márcio Poncio

“O que posso informar é que ele se encontra na Superintendência da Polícia Federal e que, até o presente momento, não tivemos acesso aos autos do processo, fato que nos impede de conhecer os fatos e os fundamentos que levaram à decretação de sua prisão preventiva”, disse o advogado Leandro Mendonça.

Nota de Adilsinho

“A defesa do empresário Adilson Oliveira Coutinho Filho rechaça a alegação de pagamento de vantagens indevidas a políticos ou agentes públicos. A defesa confia no Poder Judiciário e no devido processo legal.”