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Rio ganha 1ª unidade regional do Coaf e escritório nacional antifacção

Coaf deixa Brasília pela primeira vez para rastrear lavagem de dinheiro no RJ

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O governo federal inaugura, nesta sexta-feira (3), duas novas estruturas permanentes voltadas ao enfrentamento do crime organizado no Rio de Janeiro. A estratégia foca no fortalecimento da inteligência financeira e na integração policial para desarticular facções criminosas e milícias que atuam no estado.

Pela manhã, a União abre a primeira coordenadoria regional do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) fora de Brasília. Já na parte da tarde, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) instala o Escritório Nacional Antifacção (Enaf). As iniciativas priorizam o Rio de Janeiro devido ao forte domínio territorial de grupos armados na região.

A nova coordenadoria regional do Coaf inicia as atividades às 10h. É a primeira vez na história que o órgão — responsável por prevenir a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo — ganha uma estrutura permanente fora da capital federal. A unidade fluminense será chefiada pelo delegado federal Tacio Muzzi, que foi superintendente da Polícia Federal no Rio entre 2020 e 2022.

A escolha do Rio se deve à necessidade de aproximar os analistas dos locais onde ocorrem as principais movimentações financeiras ilícitas do país. O Coaf também abriu um escritório em São Paulo esta semana e planeja uma base em Foz do Iguaçu (PR), criando um eixo estratégico entre o maior centro financeiro nacional, o Rio e a tríplice fronteira.

A unidade do Rio utilizará tecnologia avançada para processar dados enviados por setores obrigados por lei a reportar transações suspeitas, joalherias, imobiliárias, construtoras e concessionárias de veículos de alto padrão.

O cruzamento dessas informações gera os Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs). Os documentos são enviados diretamente à Polícia Federal e ao Ministério Público para congelar bens e embasar prisões de chefes do tráfico e da milícia.

Às 14h, o Ministério da Justiça instala o Escritório Nacional Antifacção no Palácio da Fazenda, no Centro do Rio. A estrutura é um braço permanente da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e faz parte do programa Brasil Contra o Crime Organizado.

O escritório funcionará como um centro integrado de inteligência de dados. O objetivo é unificar o planejamento de operações e o compartilhamento de informações entre as polícias Civil, Militar, Federal e Rodoviária Federal. O Ministério da Justiça reforça que a nova estrutura não substitui as polícias locais, mas atua como um catalisador de grandes ações integradas.