Encontrar profissionais qualificados segue como um dos principais desafios do mercado de trabalho no Brasil. Levantamento do ManpowerGroup, mostra que oito em cada dez empregadores no país têm dificuldade para preencher vagas, índice praticamente estável em relação ao ano anterior e que reforça um problema estrutural na economia.
A Pesquisa Global de Escassez de Talentos 2026 ouviu 39.063 empregadores em 41 países entre outubro de 2025. No Brasil, 80% das empresas relataram dificuldades de contratação, leve queda frente aos 81% de 2025, mas ainda em patamar elevado desde 2022. A média global ficou em 72%, abaixo dos 74% do levantamento anterior.
O problema cresce conforme o porte das empresas. Entre companhias com menos de dez funcionários, 72% relatam dificuldades; o índice sobe para 75% (10 a 49 empregados), 79% (50 a 249) e 81% (250 a 999). Nas empresas com 1.000 a 4.999 funcionários, chega a 90%, e fica em 83% nas de grande porte.
Por regiões, São Paulo lidera a escassez, com 88% das empresas relatando dificuldades, seguido por Minas Gerais (85%), Rio de Janeiro (80%), cidade de São Paulo (79%), demais regiões (77%) e Paraná (74%).
Entre os setores mais afetados estão serviços profissionais, científicos e técnicos (85%), informação (83%), além de comércio, logística, hospitalidade, manufatura, serviços públicos e recursos naturais (79%). Construção civil e mercado imobiliário registram 77%.
A pesquisa também aponta mudanças nas competências mais demandadas, com destaque para inteligência artificial, análise de dados e tecnologia da informação, além de habilidades comportamentais como comunicação, adaptabilidade e resolução de problemas.
Diante do cenário, 44% das empresas brasileiras afirmam investir em capacitação interna (upskilling e reskilling), índice acima da média global (27%). Outras estratégias incluem busca por novos perfis (25%), maior flexibilidade (23%), jornadas flexíveis (21%) e aumento salarial (18%). O uso de IA para reduzir contratações é citado por 11%, e a flexibilização de diplomas por 7%.
Além disso, cresce o investimento social corporativo em programas de qualificação profissional, que passam a integrar estratégias de longo prazo para enfrentar a escassez de mão de obra e aumentar a competitividade das empresas.










