O grupo militante Hamas anunciou nesta segunda-feira (6) a dissolução do órgão responsável pela administração da Faixa de Gaza, encerrando uma estrutura de governo que permaneceu no controle do território por quase duas décadas. A decisão pode abrir espaço para que um comitê palestino assuma a gestão civil da região, em meio às negociações internacionais sobre o futuro de Gaza após meses de conflito.
A confirmação foi feita durante uma coletiva de imprensa por Ismail Thawabta, diretor-geral do escritório de mídia administrado pelo Hamas. Segundo ele, o chefe do governo ligado ao grupo, Mohammed al-Farra, apresentou sua renúncia na manhã desta segunda-feira.
Desde 2007, quando o Hamas, financiado por Israel, assumiu o controle da Faixa de Gaza após confrontos com o Fatah — partido do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, sediado em Ramallah, na Cisjordânia ocupada —, o grupo era responsável pela administração política e civil do território.
Apesar da dissolução do governo, Thawabta afirmou que os funcionários técnicos permanecerão em suas funções para garantir a continuidade dos serviços públicos e evitar um vazio administrativo durante a transição.
Hamas diz que decisão busca reduzir impactos da guerra
Segundo o porta-voz do grupo, a medida foi tomada em razão das dificuldades enfrentadas pela população em consequência do conflito e das restrições impostas ao território.
“A medida foi tomada para aliviar o sofrimento resultante da guerra em curso, o atraso na reconstrução, o cerco contínuo, o fechamento das passagens de fronteira e a recusa do Exército israelense em se retirar, disse ele.”
Ainda durante a coletiva, Thawabta pediu que as partes envolvidas acelerem os procedimentos para que o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG) assuma definitivamente as responsabilidades administrativas no território.
Em comunicado separado, o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, afirmou que a iniciativa pretende retirar argumentos utilizados para justificar interferências israelenses e reafirmou o compromisso da organização em transferir todas as responsabilidades ligadas à administração civil de Gaza.
Comitê tecnocrático pode assumir a administração
A dissolução ocorre em um momento em que mediadores internacionais buscam consolidar a segunda fase do acordo de cessar-fogo firmado entre Israel e Hamas.
Em meados de junho, diferentes facções palestinas participaram de reuniões no Cairo para apresentar uma proposta relacionada à continuidade das negociações. O plano faz parte do roteiro elaborado pelo Conselho de Paz liderado pelos Estados Unidos e prevê mecanismos para definir o futuro político e administrativo da Faixa de Gaza.
Entre os pontos discutidos estão a reconstrução do território, o desarmamento de grupos armados, a retirada gradual das tropas israelenses e o eventual envio de uma força internacional de paz.
O Comitê Nacional para a Administração de Gaza, atualmente sediado no Cairo, foi criado dentro dessa iniciativa diplomática para assumir futuramente a gestão administrativa da região.
Conselho apoiado por Trump defende controle total das armas
Também nesta segunda-feira, o Conselho de Paz criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou apoio ao novo modelo de administração e defendeu que o futuro governo tenha controle exclusivo sobre o armamento existente na Faixa de Gaza.
“O princípio fundamental continua sendo uma única autoridade, uma única lei e uma única arma. Isso significa a consolidação de todas as armas sob o controle do NCAG (Comitê Nacional para a Administração de Gaza)”, afirmou o conselho em um comunicado divulgado no X (ex-Twitter).
A proposta integra o plano elaborado durante as negociações do cessar-fogo firmado em outubro de 2025.










