Moradores de Santa Teresa, na Região Central do Rio, acionaram o Ministério Público do Estado (MPRJ) e o Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) para ampliar a proteção ao Parque Glória Maria, antigo Parque das Ruínas. O grupo exige regras claras de uso e a abertura do processo de tombamento estadual do conjunto histórico, arquitetônico, paisagístico e cultural. Os dois pedidos já estão em andamento.
A mobilização reúne mais de 20 moradores do bairro. O movimento ganhou força após o grupo descobrir, via consulta formal ao Inepac, que o parque não possui tombamento na esfera estadual.
No Ministério Público, os cidadãos buscam a celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). O objetivo é estabelecer limites e critérios rígidos para o uso do equipamento cultural por parte dos gestores.
Impactos na vizinhança motivam queixas
A principal reclamação dos moradores aponta para o desvirtuamento da programação do espaço nos últimos anos. Segundo o grupo, os eventos de grande porte realizados no local geram impactos negativos diretos na mobilidade urbana, devido ao trânsito saturado nas vias estreitas do bairro, e na conservação, trazendo riscos estruturais às ruínas históricas. Além disso, a vizinhança relata problemas com a segurança, pelo aumento do fluxo de pessoas sem suporte adequado, e com a qualidade de vida, devido à perturbação do sossego em um entorno que é estritamente residencial.
Criado em 1993 e inaugurado em 1997, o parque nasceu para preservar a história local e oferecer lazer e cultura. Contudo, os moradores alegam que o próprio conjunto agora carece de proteção.
O grupo ressalta que o debate vai além do tombamento. A intenção é discutir o modelo de gestão do espaço. Isso inclui definir quais tipos de eventos são compatíveis com a estrutura do parque e com a rotina de Santa Teresa.
A expectativa é que a intervenção do MPRJ e do Inepac force o poder público a adotar uma postura mais rígida de preservação.










