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MPRJ diz que ex-procurador-geral ignorou parecer que apontava irregularidades no IRM

O MP investiga um suposto esquema de desvio de R$ 86,28 milhões em contratos firmados entre julho de 2022 e maio de 2026

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reprodução TV

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) afirma que o ex-procurador-geral do Instituto Rio Metrópole (IRM), Marcelo Lopes da Silva, ignorou um parecer técnico que apontava irregularidades em contratos da autarquia e o substituiu por outro favorável às contratações investigadas por suspeita de fraude.

Segundo o Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaesf), esse é um dos principais elementos da investigação sobre um suposto esquema de desvio de R$ 86,28 milhões em contratos firmados entre julho de 2022 e maio de 2026. Marcelo Lopes da Silva foi preso e está entre os denunciados na operação.

De acordo com o coordenador do Gaesf, Delcio Alonso, durante as férias do procurador, uma servidora elaborou um parecer apontando inconsistências nos contratos. Ao retornar ao cargo, Marcelo desconsiderou a manifestação técnica e assinou um novo parecer validando as contratações.

Para o Ministério Público, a mudança deu aparência de legalidade aos contratos e permitiu a continuidade dos pagamentos, apesar dos indícios de irregularidades. A promotora Roberta Jorio afirmou que o episódio reforça a suspeita de participação do então procurador no esquema investigado.

As investigações apontam que contratos do Instituto Rio Metrópole teriam sido usados para desviar R$ 86,28 milhões. Segundo a denúncia, empresas contratadas repassavam parte dos recursos ao Brazilian Institute of Organics (Instituto BIO), que, de acordo com o MPRJ, não possuía estrutura compatível para executar os serviços. Os valores, ainda segundo a Promotoria, eram posteriormente sacados em dinheiro.

Além de Marcelo Lopes da Silva, foram denunciados o presidente do IRM, Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê, os diretores Maurício Silva Knoploch dos Santos e Franquis Dias Nepomuceno, além de Caroline Soares Barros e Amanda Íthala Santos da Paschoa.

O Ministério Público informou que as investigações continuam e que outros contratos firmados pela autarquia ainda estão sendo analisados.