O governo dos EUA deve anunciar até quarta-feira (15) se aplicará novas tarifas contra o Brasil, como parte de uma investigação sobre práticas comerciais consideradas injustas pela Casa Branca — incluindo ataques ao Pix. Um documento do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) divulgado no mês passado sugere taxas retaliatórias de 25% contra produtos brasileiros. Uma decisão final, contudo, ainda não havia sido tomada devido a intensas negociações diplomáticas em andamento entre os dois países.
Caso as retaliações sejam de fato adotadas, o Brasil passará a ser o segundo país com maiores tarifas aplicadas a seus produtos pelos EUA, ficando atrás somente da China. Atualmente, o país ocupa a 13ª posição, com tarifa média efetiva de 11,73%, atrás de Turquia, Indonésia, Vietnã, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Alemanha, Índia, Áustria, Suécia e Itália, segundo dados compilados pelo Global Trade Alert (GTA).
Os dados do GTA, mantidos pelo centro de estudos suíço St. Gallen Endowment, consideram as tarifas efetivas — aquelas realmente cobradas — e não as taxas nominais. Se o novo tarifaço de 25% for confirmado por Trump, o Brasil será o segundo país que mais sofreu aumento de tarifas em seu segundo mandato, registrando um salto médio previsto de 18%. A China lidera esse ranking, com alta de 27% em comparação ao governo de Joe Biden.
A forte pressão sobre o Brasil, que é apenas o 17º maior parceiro comercial americano, intriga analistas. Para Johannes Fritz, diretor do St. Gallen Endowment, a medida reflete sinais de Washington que envolvem alianças políticas. “O que parece plausível é que tenha um componente de alianças pessoais ou políticas”, afirmou Fritz em entrevista, lembrando que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi citado explicitamente.
No ano passado, ao anunciar uma taxa de 50% sobre exportações brasileiras, Trump expressou descontentamento com o fato de Bolsonaro ter se tornado réu por tentativa de golpe de Estado no Brasil. O ex-presidente acabou condenado em setembro do ano passado e cumpre, atualmente, uma pena de 27 anos em regime domiciliar.
O mercado aguarda com apreensão o anúncio oficial desta quarta-feira, que definirá o futuro do comércio bilateral. As próximas horas serão decisivas para determinar a intensidade do impacto econômico sobre a indústria brasileira.








